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28 de junho de 2025Saiba como o NDB atua para promover os setores de infraestrutura e sustentabilidade no Sul Global.
Em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, instabilidade cambial e urgência climática, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB- New Development Bank) – também conhecido como Banco do BRICS – consolida-se como um dos principais motores de financiamento de infraestrutura e sustentabilidade para países emergentes.
Sediado em Xangai na China, o NDB se destaca como uma instituição alinhada aos desafios contemporâneos ao fornecer crédito para setores como infraestrutura, energia limpa, água e saneamento.
Fundado em 2015, o banco avança com vigor em 2024: segundo seu Relatório Anual 2024 (divulgado em 12 de junho de 2025), já acumula 96 projetos aprovados, com um total de US$ 32,8 bilhões em financiamentos liberados até o fim do ano passado.
O NDB tem um fundo total de US$ 100 bilhões e US$ 52,7 bilhões já disponíveis. Sua missão é ajudar os países do Sul Global a crescerem de forma sustentável, sendo uma alternativa aos bancos tradicionais, como o Banco Mundial e o FMI, que muitas vezes impõem regras rígidas que reduzem a liberdade de decisão desses países.
Investimentos em infraestrutura, energia limpa e cidades resilientes
O NDB opera com metas bem definidas. Uma delas é destinar 40% de seus recursos para projetos com impacto climático positivo. Isso inclui investimentos em energia solar e eólica, modernização de redes elétricas, saneamento básico, transporte urbano sustentável, obras contra enchentes e modernização de portos e ferrovias.
No caso do Brasil, a presença do banco é expressiva. Segundo o relatório anual, já foram aprovados 31 projetos no país, com um total de US$ 5,2 bilhões em financiamentos. Muitos desses investimentos são coordenados com o BNDES, fortalecendo a capacidade do Brasil de estruturar e executar projetos com financiamento internacional.
Essa sinergia entre o NDB e instituições nacionais tem permitido a viabilização de iniciativas de alto impacto ambiental e social. Um exemplo são as parcerias para mobilidade urbana elétrica e o saneamento em cidades médias — áreas com forte demanda e pouco atendimento por bancos tradicionais.
Como uma empresa brasileira pode acessar financiamento do NDB?
Além de financiar governos por meio de seu fundo soberano (empréstimos garantidos por governos nacionais), o NDB apoia projetos de empresas privadas que se qualifiquem para o crédito de seu fundo não soberano (empréstimos diretos a empresas, sem exigência de garantias governamentais).
Geralmente, esses empréstimos são para grandes obras de infraestrutura ou energia, mas empresas médias com projetos sólidos também podem participar.
Para pedir financiamento, o processo é o seguinte:
- O projeto deve ser de áreas como infraestrutura, sustentabilidade, inovação, conectividade ou segurança de água e energia.
- A empresa deve acessar a seção de propostas no site do NDB.
- É preciso enviar informações completas, com estudos sobre viabilidade técnica, financeira e ambiental.
- O banco analisa o projeto com base em impacto, riscos e boa gestão.
- Se aprovado, o dinheiro é liberado em etapas, com acompanhamento técnico.
No Brasil, o BNDES ajuda como parceiro, facilitando o acesso. Em 2024, por exemplo, o BNDES captou US$ 500 milhões do NDB para projetos de transporte elétrico, gestão de lixo e cidades sustentáveis, repassando recursos a estados, municípios e empresas.
A estratégia de desdolarização
Um dos temas mais sensíveis no debate internacional é a dominância do dólar no comércio e nos financiamentos. O NDB aposta em uma política clara de desdolarização gradual, com a meta de realizar ao menos 30% das suas operações em moedas locais — como o real, o yuan (da China), o rand (da África do Sul) ou a rúpia (da Índia).
Essa estratégia ajuda os países que pegam empréstimos a não sofrerem tanto com as variações do dólar, além de dar mais independência para usarem suas próprias moedas. O NDB já emitiu títulos em yuan (China) e está criando formas de oferecer financiamentos nas moedas dos outros países do grupo.
Essa abordagem, além de inovadora, aproxima o banco das realidades econômicas locais e cria um colchão de segurança frente às oscilações dos mercados internacionais.
NDB em eventos no Brasil
Foco em sustentabilidade, moedas locais e cooperação com o BNDES
O NDB terá presença estratégica no Brasil em julho de 2025. A 10ª Reunião Anual do NDB será realizada nos dias 4 e 5 de julho, no Rio de Janeiro, seguida pela Cúpula dos BRICS, em 6 e 7 de julho, também na cidade.
Durante o encontro, o banco apresentará avanços decisivos, abordando temas já mencionados neste artigo:
- Balanço 2024 (aprovação de 96 projetos, totalizando US$ 32,8 bilhões, com 40% voltados à infraestrutura verde e sustentabilidade).
- Moedas locais (manutenção da meta de realizar 30% das operações em moedas nacionais — como o real e o yuan — até 2026, como estratégia de desdolarização e soberania financeira).
- Parcerias estratégicas (destaque para a cooperação com o BNDES, que captou US$ 500 milhões em 2024 para financiar projetos de transporte elétrico, gestão de resíduos e cidades sustentáveis).
Sob a liderança de Dilma Rousseff, que preside o NDB desde 2023, o banco tem priorizado a sustentabilidade climática, com foco em projetos de impacto ambiental positivo e a governança eficiente, ampliando transparência, agilidade e cooperação multilateral.
Por que o NDB é essencial para o futuro do Sul Global?
Ao facilitar o acesso ao crédito e priorizar projetos que melhoram a vida das pessoas, o NDB consolida-se como um dos principais bancos internacionais voltados ao desenvolvimento sustentável. Seus principais diferenciais são:
- Atuação centrada nos países do Sul Global e nas necessidades locais.
- Financiamento de projetos soberanos e não soberanos, ampliando o alcance para o setor público e privado.
- Compromisso com a desdolarização, promovendo o uso de moedas locais.
- Foco em infraestrutura sustentável, transição energética e inclusão regional.
- Alta capacidade técnica e agilidade operacional na aprovação e execução de projetos.
Em um cenário global cada vez mais multipolar, o NDB deixa de ser apenas uma alternativa às instituições e passa a ocupar papel central na construção de uma nova arquitetura financeira internacional — mais justa, inclusiva e voltada ao crescimento e autonomia dos mercados emergentes.




