
Evento histórico: Fórum Empresarial do BRICS acontece neste sábado
4 de julho de 2025
CBDCs do BRICS+: vem aí a modernização do sistema financeiro global
8 de julho de 2025Defendida pelo BRICS+, nova governança global é o caminho para um futuro de abundância compartilhada.
O antiquado sistema de governança internacional (criado após a Segunda Guerra Mundial) mostra sinais de exaustão e impotência para enfrentar desafios atuais. Instituições e fóruns como FMI, Banco Mundial, G7 e OTAN exemplificam um modelo insustentável, baseado na centralização do poder e na exclusão de grande parte da população mundial.
Ao concentrar poder em poucos países, esse “jeito de governar o mundo” aprofunda desigualdades, estimula conflitos e compromete o desenvolvimento sustentável. Diante disso, tornou-se urgente repensar a governança global para garantir estabilidade, prosperidade e justiça no século 21.
O modelo antigo mostra claros sinais de esgotamento ao defender um sistema desigual e excludente. A concentração de poder é visível nos dados:
- Segundo o FMI, mais de 85% das decisões da instituição estão sob controle dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, enquanto os países em desenvolvimento (que respondem por mais de 70% da população mundial) têm participação mínima na formulação de políticas e nas decisões que impactam diretamente seu futuro.
- De acordo com a OCDE, os países africanos gastam, em média, quatro vezes mais com o pagamento de juros do que com investimentos em saúde.
- O dólar americano está presente em cerca de 88% das transações internacionais, expondo dezenas de países à volatilidade da política monetária dos EUA, mesmo sem vínculos diretos com sua economia.
- A atual governança global visa manter a hegemonia dos países centrais. O resultado é um mundo cada vez mais instável, fragmentado e vulnerável a choques sistêmicos.
Vivemos novos tempos com o multilateralismo emergindo no cenário global. Chegou a hora de buscar formas de encontrar soluções para desafios contemporâneos da humanidade, como colapso climático, endividamento recorde dos países, guerras intermináveis, guerras comerciais, sanções, insegurança alimentar e energética.
Emergência dos BRICS+: um novo caminho
O mundo está mais conectado do que nunca, fazendo com que problemas em um lugar afetem todos nós. É hora de criar novas formas de cooperação entre os países. É nesse contexto que os BRICS+ emergem como uma alternativa de governança mais equilibrada, realista e inclusiva. A expansão do bloco sinaliza uma transição da hegemonia para a multipolaridade.
Mais do que um bloco econômico, os BRICS+ representam um projeto de reorganização geopolítica baseado na busca por cooperação soberana, respeito e interdependência produtiva.
O New Development Bank (NDB), por exemplo, já aprovou cerca de US$ 35 bilhões em financiamentos para projetos em países-membros, focando em infraestrutura, energia e inovação sustentável — sem impor reformas estruturais ou interferências políticas, como é prática comum no FMI.
Além disso, estão em desenvolvimento mecanismos financeiros que reduzem gradualmente a dependência do dólar, como o BRICS Pay e os acordos bilaterais em moedas locais, já utilizados em transações entre países como China e Arábia Saudita, e Índia e Rússia. Essas iniciativas promovem maior previsibilidade econômica e protegem os países-membros da instabilidade e de sanções unilaterais.
O sistema não funciona mais
A forma como o mundo é governado ficou ultrapassado. As regras globais são feitas, em sua maioria, por países que controlam o dinheiro, as fábricas e as tecnologias. Isso acaba deixando a maioria dos países de fora das decisões importantes, gerando problemas que criam mais problemas:
- Dívidas que não acabam
Muitos países da África, por exemplo, gastam mais dinheiro pagando juros da dívida do que cuidando da saúde da população. Isso acontece porque o sistema atual favorece os países ricos e cobra caro dos países mais pobres. - Tecnologia nas mãos de poucos
Mais de 90% das tecnologias para enfrentar as mudanças climáticas estão registradas por países ricos. Isso significa que os países mais pobres têm dificuldade de acesso a tais soluções, dificultando que todos enfrentem a crise climática de forma justa. - Sanções econômicas e confiscos
Alguns países são punidos com bloqueios econômicos quando não seguem os interesses das grandes potências, a exemplo da Rússia e do Irã. Isso mostra como o sistema atual pode ser usado como forma de arma política. Hoje são esses países, amanhã poderia ser seu país.
Como uma nova governança pode gerar prosperidade
A proposta dos BRICS+ parte de um princípio inverso à escassez: é preciso unir forças para ampliar a abundância coletiva:
- Moedas locais e estabilidade regional
Ao incentivar o uso de moedas nacionais nos acordos comerciais, os BRICS+ reduzem a exposição ao dólar e às taxas de juros dos EUA. Isso fortalece as moedas domésticas, reduz pressões inflacionárias e protege reservas internacionais. A Índia, por exemplo, já usa a rupia em acordos com Bangladesh e Rússia, garantindo estabilidade regional e reduzindo custos logísticos. - Financiamento acessível
O New Development Bank atua como um banco de fomento de fato — com juros competitivos e foco em infraestrutura, conectividade digital e energia limpa. Países da África e América Latina poderiam, nesse modelo, acessar capital com garantias éticas, sem comprometer sua soberania ou compromissos sociais. - Tecnologia como bem comum
Com acordos multilaterais, os BRICS+ fomentam a transferência de tecnologia em áreas estratégicas — como energia solar, inteligência artificial e biotecnologia. Em vez de patentes bloqueadas por décadas, o bloco já discute protocolos abertos e redes colaborativas, reduzindo desigualdades no acesso à inovação. 2. Crescimento equilibrado
Com acesso justo a financiamento e tecnologias acessíveis, países da América Latina, África e Sudeste Asiático poderão desenvolver suas próprias cadeias de valor e reduzir a dependência de exportações primárias ou dívidas externas. - Segurança climática integrada
Em 2023, os BRICS anunciaram um Fundo de Energia Limpa de US$ 10 bilhões e a criação de um satélite climático conjunto, que monitora o desmatamento em tempo real. Isso demonstra que é possível aliar soberania nacional e responsabilidade global em questões ambientais.
Multipolaridade é maturidade internacional
A governança global inteligente reconhece a pluralidade de interesses e realidades do mundo contemporâneo, promovendo mecanismos legítimos de mediação e diálogo.
Decisões mais equilibradas, inclusivas e descentralizadas fortalecem a estabilidade e ampliam a cooperação, contribuindo para a redução de tensões geopolíticas. Essa nova forma de governar expande possibilidades, diversifica caminhos e nos convida a construir, em conjunto, uma ordem internacional mais produtiva e justa.
Quando o BRICS propõe uma nova estrutura de governança global, não está rejeitando o Ocidente. Está, na verdade, convidando-o a participar da construção de soluções para um mundo multipolar menos assimétrico e mais sustentável, capaz de encontrar formas de superar o endividamento público, superando obstáculos que hoje ameaçam a prosperidade global.
Um mundo mais próspero, pacífico e sustentável
A governança global inclusiva redireciona os fluxos de capital para priorizar impactos sociais e ambientais, os quais também se traduzem em ganhos econômicos e maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Países marginalizados no comércio global seriam integrados com dignidade, enquanto novos polos de conhecimento e inovação surgiriam, dinamizando as relações internacionais e o comércio. Desenvolvimento, autonomia e cooperação, viabilizados por essa governança, criam condições fundamentais para uma paz duradoura.
Parcerias ganha-ganha
A governança internacional precisa deixar de ser um jogo de soma zero — onde o ganho de um país representa a perda de outro. Com a expansão dos BRICS+, surge a oportunidade de construir uma nova arquitetura global baseada em abundância estratégica, inclusão política e equilíbrio produtivo. Trata-se de avançar para um sistema onde a cooperação substitui a competição predatória, e todos têm espaço para prosperar.
Cúpula de Chefes de Estado do BRICS no Rio
Nos dias 6 e 7 de julho de 2025, o Brasil sedia a Cúpula dos BRICS, no Rio de Janeiro, sob a presidência rotativa brasileira. Os principais temas em pauta serão:
- Reforma das instituições internacionais, como o FMI, o Conselho de Segurança da ONU e a OMC;
- Redução das desigualdades e combate à fome;
- Desenvolvimento sustentável e transição energética;
- Fortalecimento do multilateralismo com base na cooperação, não na imposição.
Este encontro tem forte valor simbólico, representando o início de um ciclo. Governança não é mais sobre quem manda, mas sobre quem constrói: chegou a hora de incluir mais vozes, respeitar diferentes trajetórias e buscar soluções conjuntas para desafios que são de todos.
O mundo precisa parar de tratar a governança global como um jogo de dominação. O século 21 exige um sistema que trate a abundância como resultado da cooperação entre nações soberanas, não como privilégio de poucas potências. Com os BRICS+ propondo novos caminhos, temos a chance de remodelar a ordem internacional com base em estabilidade, equilíbrio e dignidade compartilhada.



