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A transformação digital no sistema financeiro internacional já é uma realidade no mundo, evidenciando o processo de modernização e busca de diversificação em transações internacionais. Neste sentido, as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) são um tendência que vieram para ficar.
Atualmente, mais de 140 países, representando 95% do PIB global, exploram CBDCs, cada um em um estágio que varia entre debates de regulações a testes, parcerias e implementações reais. O tema é tão importante que vem sendo objeto de estudos e relatórios de organizações internacionais como o Banco de Compensações Internacionais (BIS) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Neste artigo, vamos analisar qual o status das CBDCs nos países membros dos BRICS+.
China, Rússia e Índia: os protagonistas da revolução digital
China (e-CNY): a vanguarda digital asiática
A China segue firme na liderança da corrida pelas CBDCs. O yuan digital (e-CNY) está operacional desde 2023 e, em 2025, já é utilizado em cerca de 20% do comércio bilateral com a Rússia, segundo o Banco Popular da China. Além disso, Pequim realiza testes com Brasil e Arábia Saudita para o uso do e-CNY na negociação de commodities, como gás e petróleo, fortalecendo sua estratégia de desdolarização do comércio exterior.
Rússia (Rublo Digital): Estratégia de Soberania Financeira
Lançado oficialmente em janeiro de 2025 pelo Banco Central da Rússia, o rublo digital surge como resposta direta às sanções do sistema SWIFT. Moscou já firmou acordos com China e Índia para usar CBDCs nas transações de energia — uma jogada estratégica para contornar o bloqueio financeiro ocidental e garantir autonomia nas operações internacionais. A implementação em larga escala será feita em etapas até setembro de 2026.
Índia (e-Rupee): Expansão Interna e Parcerias Regionais
A Índia, por sua vez, ampliou significativamente a fase piloto do e-Rupee. Em 2025, mais de 50 milhões de usuários já testam a moeda digital, com foco especial em pagamentos de subsídios e transferências governamentais. Além disso, o país colabora com os Emirados Árabes Unidos para facilitar o comércio bilateral utilizando CBDCs.
Brasil, África do Sul e Emirados: os emergentes digitais do BRICS+
Brasil (DREX): foco nas exportações em moeda digital
O Banco Central do Brasil planeja o lançamento do DREX — o real digital — para 2025. O país já negocia com a China a possibilidade de exportar minério de ferro utilizando o DREX, o que representaria um marco na adoção de moedas digitais em transações comerciais reais. O Brasil também demonstra interesse em integrar o DREX à futura plataforma BRICS Pay.
África do Sul (Rand Digital): Desafios Estruturais à Frente
A África do Sul avança nos testes do rand digital com bancos comerciais, mas enfrenta entraves regulatórios internos. O Banco Central Sul-Africano prevê que a moeda não estará disponível antes de 2026, devido à fragmentação do sistema regulatório no continente africano.
Emirados Árabes (Dirham Digital): o futuro centro financeiro do BRICS+
Os Emirados Árabes trabalham para posicionar Dubai como futuro hub global de CBDCs. Em parceria com gigantes como JP Morgan e HSBC, o Banco Central do país conduz testes com o dirham digital voltados para pagamentos internacionais. O objetivo é claro: transformar os Emirados em uma plataforma estratégica para as moedas digitais do BRICS+.
Arábia Saudita, Egito e Irã: a caminho, mas com cautela
Arábia Saudita: entre o petrodólar e a nova ordem digital
A Arábia Saudita ainda está em fase de estudos quanto à adoção de uma CBDC. O Banco Central Saudita pondera os efeitos de uma moeda digital sobre o sistema do petrodólar, pilar de sua economia. Sem uma data de lançamento confirmada, o país adota uma postura cautelosa, mas participa ativamente dos debates internos do BRICS+.
Egito e Irã: obstáculos tecnológicos e políticos
Tanto Egito quanto Irã enfrentam limitações tecnológicas e desafios políticos que dificultam a implementação de CBDCs. Os bancos centrais desses países indicam que não há previsão de lançamento de moedas digitais antes de 2027.
BRICS Pay: a plataforma que pode mudar o jogo global
Com lançamento previsto para 2026, a plataforma BRICS Pay busca interconectar as moedas digitais dos países do bloco, criando uma alternativa ao sistema SWIFT e reduzindo a dependência do dólar.
Enquanto isso, há desafios a serem superados, a exemplo da falta de padronização entre os sistemas digitais nacionais, a resistência de membros como Índia e Arábia Saudita quanto à centralização, além da necessidade de garantir segurança cibernética e interoperabilidade.
De toda forma, o objetivo é conectar as CBDCs de China, Rússia, Índia, Brasil e África do Sul até final de 2026, consolidando uma rede robusta de transações internacionais sem intermediários ocidentais.
No que diz respeito às moedas digitais, a atuação dos países do BRICS+ representa um dos movimentos geoeconômicos mais relevantes da década. Se a plataforma BRICS Pay for bem-sucedida, até 15% do comércio global poderá migrar para CBDCs até 2030. O Brasil, com o DREX, tem papel central nesta mudança, atuando como ponte entre América Latina e Ásia.
Este novo cenário coloca em xeque a hegemonia do dólar e abre espaço para uma ordem financeira multipolar, mais descentralizada e, potencialmente, mais equitativa.




