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29 de junho de 2025Diplomacia cultural é o soft power que estreita laços, ajudando a construir uma nova governança global.
Vivemos novos tempos no mundo multipolar. Cada vez mais, as relações internacionais deixaram de se basear exclusivamente em acordos econômicos, alianças militares ou influência geopolítica tradicional. Em vez disso, cresce o valor da cultura como ferramenta diplomática — um soft power capaz de conquistar corações, aproximar povos e construir uma nova governança global.
No contexto do BRICS+, a cultura é reconhecida como uma das 15 áreas prioritárias de cooperação entre os países membros do bloco. Para o grupo, a cultura é um pilar estratégico para o desenvolvimento sustentável, a promoção do diálogo intercultural e o fortalecimento da identidade dos povos do Sul Global.
Esta disposição revela uma oportunidade histórica e uma imensa avenida mundo afora, permitindo que os países do BRICS fortaleçam sua presença global através da criatividade, da cultura e da diversidade.
A presidência brasileira do BRICS em 2025 reforça o compromisso do país em liderar iniciativas que valorizem a cultura como instrumento de transformação social e desenvolvimento sustentável, promovendo a cooperação entre os países do Sul Global.
O que é “soft power” e por que ele é poderoso?
O termo “soft power” (poder de influência) é a capacidade de um país conquistar a simpatia de outros por meio do encantamento, admiração e adesão espontânea aos seus valores, cultura e estilo de vida.
Ao contrário do “hard power” – baseado em poder militar, pressões econômicas, coerção ou imposição -, o soft power atua de forma sutil e duradoura, conquistando corações naturalmente.
Nesse cenário, a cultura assume papel protagonista. Filmes, música, dança, literatura, gastronomia, design, moda e diversas manifestações culturais têm potencial de criar pontes onde antes havia muros. Países que compreendem isso conseguem, com inteligência, sutileza e sensibilidade, abrir portas pelo mundo.
Resumindo: o soft power é como um “bom dia” universal — um gesto de abertura e simpatia que pode anteceder uma negociação política ou comercial. Ele abre caminhos, aproxima, conecta e cria laços verdadeiros.
Economia criativa como estratégia global dos BRICS+
Cada vez mais, países ao redor do mundo adotam a economia criativa como política pública para ampliar sua presença internacional. Por meio da exportação de música, cinema, literatura, moda, design, gastronomia, arquitetura, games, audiovisual e outras expressões culturais, as nações fortalecem sua identidade e expandem sua projeção global.
Os países do BRICS+ possuem patrimônios culturais ricos e diversos, com raízes em histórias milenares e na convivência de diversos povos, que oferecem ao mundo uma visão artística e cultural genuinamente multipolar.
A economia criativa é hoje reconhecida como um pilar estratégico tanto econômico quanto diplomático. Segundo o Mapa da Indústria Criativa 2025, o setor movimentou R$ 393,3 bilhões no Brasil em 2023, representando 3,59% do PIB nacional, e empregou mais de 1,26 milhão de pessoas. O país se destaca internacionalmente por sua cultura vibrante, resultado de uma miscigenação única que reflete influências de todos os continentes.
Já no cenário internacional, dados da UNCTAD (2024) mostram que as exportações globais de bens e serviços criativos ultrapassaram US$ 2,1 trilhões. Isso reafirma o papel crescente da criatividade como motor de desenvolvimento, competitividade e soft power global.
Com uma população combinada de cerca de 4 bilhões de pessoas, os países do BRICS+ representam quase metade da população mundial. Em um planeta hiperconectado digitalmente, essa escala populacional é uma avenida imensa para o intercâmbio cultural, o diálogo entre civilizações e a construção de pontes de empatia e cooperação internacional.
Ao investir em políticas públicas e diplomacia cultural, os BRICS+ podem transformar sua riqueza simbólica em influência real, promovendo o desenvolvimento sustentável, o respeito mútuo e novos modelos de relacionamento global baseados em diversidade, criatividade e inclusão.
Cultura: ponte entre povos no mundo multipolar
À medida que o mundo caminha para um cenário multipolar — com múltiplos centros de influência e decisão —, a cultura surge como a linguagem universal capaz de unir países com histórias, línguas e sistemas diferentes.
Os BRICS+ desempenham um papel decisivo nesse processo. Enquanto blocos de poder disputam hegemonias, a cooperação cultural entre países emergentes pode representar o início de um novo modelo de relacionamento internacional: mais horizontal, colaborativo e baseado no respeito mútuo.
A cultura permite, portanto, construir vínculos profundos que transcendem fronteiras físicas e ideológicas. Quando um brasileiro assiste a um filme indiano, um chinês ouve música brasileira ou um sul-africano lê literatura russa, por exemplo, são plantadas sementes de empatia, compreensão e reconhecimento entre povos que, até então, podiam parecer distantes.
A força sutil da cultura
Como vimos, a cultura tem o poder de gerar emoções, provocar reflexões e humanizar as relações entre nações. Um festival de cinema, uma exposição de arte contemporânea, uma semana de moda ou uma feira de livros podem ser mais eficazes para fortalecer alianças internacionais do que uma cúpula diplomática protocolar.
Essas manifestações criam identidade, pertencimento e admiração. Promovem o turismo, atraem investimentos, fortalecem marcas nacionais e impulsionam o intercâmbio de conhecimento. Para os BRICS+, promover a economia criativa como um eixo de cooperação é investir no que há de mais humano e duradouro nas relações exteriores.
Além disso, a cultura é inclusiva. Permite que comunidades historicamente marginalizadas tenham voz e protagonismo, fortalecendo a coesão social interna e projetando ao mundo a pluralidade que habita cada nação.
Em um mundo que busca novos modelos de governança global, a cultura pode ser a chave para construir consensos, inspirar confiança e promover uma ordem internacional mais justa, diversa e cooperativa.
Cultura da Paz: novos horizontes para o século 21
Em tempos de conflitos globais, polarizações e tensões geopolíticas, o mundo clama por pontes (e não muros). A cultura tem o potencial de ser essa ponte. Ao promover o diálogo intercultural, o respeito às diferenças e a valorização do outro, a arte e a criatividade tornam-se ferramentas diplomáticas de alto valor estratégico.
Além de ser entretenimento, a cultura é educação emocional, construção de confiança e promoção da paz. É possível imaginar um mundo em que, ao invés de armas, as nações exportem ideias, emoções e histórias. Um mundo onde, em vez de imposição, haja cooperação. Essa é a promessa poderosa que a economia criativa oferece aos BRICS+ e ao planeta.
A cultura transformará positivamente o futuro
Os países do BRICS+ têm uma oportunidade de liderar não apenas em comércio, energia ou infraestrutura, mas em algo ainda mais profundo: na construção de uma ordem internacional guiada por cultura, empatia e solidariedade.
A arte e a criatividade são patrimônios infinitos. Quanto mais se compartilha, mais se expande. E ao investir na cultura como eixo da diplomacia, os BRICS+ ampliam sua influência e projetam um modelo de desenvolvimento baseado no entendimento, na beleza e na paz.
Em tempos de tantas divisões, a cultura nos relembra que pertencemos todos à mesma história — e que ela pode ser escrita em conjunto, com mais harmonia, humanidade e esperança.




