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Foto: Fernando Frazão (Agência Brasil)
Painel de abertura destacou multilateralismo e integração econômica entre países emergentes.
No dia 5 de julho de 2025, o Rio de Janeiro se tornou o epicentro de uma transformação global em evento paralelo à Cúpula do BRICS: o Fórum Empresarial do BRICS reuniu líderes empresariais, autoridades governamentais, especialistas dos países-membros, comitivas internacionais, convidados e grande público. Com recorde de 2.500 participantes de 68 países, o evento deixou claro que o bloco já é um dos eixos centrais da economia global.
Com 11 países membros atualmente, o BRICS+ traz números impressionantes ao representar 40% do PIB global, 48% da população mundial e 21,6% do comércio internacional.
Nesse contexto, o intercâmbio comercial entre Brasil e os países do BRICS atingiu US$ 210 bilhões em 2024, o que corresponde a 35% da balança comercial brasileira. Segundo dados oficiais do ComexStat e do Banco Central, o Brasil exportou US$ 121 bilhões ao BRICS em 2024 (36% de suas exportações totais) e importou US$ 88 bilhões (34% do total).
A cerimônia de abertura do Fórum Empresarial do BRICS contou com a presença do Presidente Lula, do Vice-Presidente Geraldo Alckmin, do Presidente da CNI Ricardo Alban e do Primeiro-Ministro da Malásia Anwar Ibrahim. Eles delinearam as prioridades e o potencial transformador do BRICS+, evidenciando o tom de colaboração, inovação e a busca por um futuro mais equitativo.
Assista à íntegra da cerimônia de abertura ou veja o resumo dos discursos a seguir.
CNI: fortalecendo a indústria e o diálogo público-privado
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, abriu o painel destacando a participação dos países do BRICS no comércio brasileiro e o papel estratégico do setor produtivo na agenda do bloco. “Nós, da indústria, acreditamos firmemente no poder do BRICS como catalisador para o crescimento e a inovação”, afirmou.
Alban valorizou a atuação de instituições como o SESI (Serviço Social da Indústria), o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e o IEL (Instituto Euvaldo Lodi), destacando sua contribuição para a educação profissional, a inovação tecnológica e a competitividade global.
Ele defendeu a construção de um diálogo contínuo entre os setores público e privado como meio de ampliar a cooperação entre os países do BRICS+, visando incrementar o comércio e os investimentos intra-bloco.
Alckmin: inovação, comércio e sustentabilidade energética
O Vice-Presidente do Brasil e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou a crescente relevância do BRICS como ator geopolítico de peso na economia mundial. Para ele, o Fórum Empresarial do BRICS representa uma oportunidade estratégica para atrair investimentos recíprocos, fortalecer o comércio exterior e estimular a inovação conjunta entre os países membros.
“O Brasil se orgulha de sua liderança em segurança alimentar e energia limpa. Estamos comprometidos com um futuro sustentável, e o BRICS é um parceiro fundamental nessa jornada”, declarou.
Alckmin ressaltou o protagonismo do país em agendas globais com destaque para a segurança alimentar — lembrando que o Brasil é atualmente o maior exportador de alimentos do mundo, com perspectiva de safra recorde em 2025.
Na pauta ambiental, reforçou o compromisso do Brasil com uma matriz energética limpa, composta por 85% de fontes renováveis, e seu papel emergente na produção de combustíveis sustentáveis para aviação, setor estratégico na transição energética global.
O vice-presidente também enfatizou as ações para o combate às mudanças climáticas, citando a reversão das tendências de desmatamento e a meta de desmatamento ilegal zero. Por fim, destacou a realização da COP30 em Belém, que posiciona o país como referência mundial nas discussões sobre bioeconomia, justiça climática e desenvolvimento sustentável.
Lula: multilateralismo e novo modelo de desenvolvimento
O Presidente Lula iniciou sua participação no evento agradecendo aos líderes empresariais e destacando o papel do setor privado: “Embora os presidentes abram portas, são os empreendedores que impulsionam os negócios.”
Na sequência, enfatizou que o BRICS, com 11 membros plenos, já representa mais de 40% do PIB global em paridade de poder de compra, e defendeu que o bloco lidere a reforma da governança.
“Diante do ressurgimento do protecionismo, cabe às nações emergentes defender o regime multilateral de comércio e reformar a arquitetura financeira internacional. O BRICS segue como fiador de um futuro promissor. O combate às desigualdades fortalece mercados consumidores, impulsiona o comércio e alavanca investimentos”, declarou.
O presidente destacou que o intercâmbio comercial entre Brasil e BRICS (US$ 210 bilhões em 2024) é mais que o dobro do comércio com a União Europeia. Ele propôs um novo modelo de desenvolvimento, baseado em agricultura sustentável, indústria verde, infraestrutura resiliente e bioeconomia — áreas onde o bloco tem vantagem estratégica, com 33% das terras aráveis e 42% da produção agrícola mundial.
Lula também defendeu marco global de governança para a inteligência artificial, que evite a hegemonia de grandes corporações no desenvolvimento tecnológico. Reforçou a urgência da descarbonização, enaltecendo o papel do BRICS como grande investidor em energia renovável e detentor de minerais estratégicos para a transição energética.
Elogiou o NDB (New Development Bank) pelo financiamento de projetos sustentáveis e incentivo ao uso de moedas locais para reduzir custos de transação. Encerrando sua fala, Lula salientou a importância da Aliança Empresarial Feminina no fortalecimento do empreendedorismo feminino, reiterando ainda a importância da inclusão e da paz para o desenvolvimento.
Anwar Ibrahim: o BRICS pode mudar o curso da história humana
O Primeiro-Ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, descreveu o Fórum Empresarial do BRICS como “momento histórico” para as economias e países emergentes. Para ele, o encontro simboliza o início de um novo ciclo, em que as vozes daqueles que lutam por liberdade, justiça e dignidade finalmente ganham espaço real nas decisões globais.
“O BRICS será muito significativo e alterará o curso da história humana”, afirmou com convicção, ao defender um bloco unido por princípios, e não apenas por interesses econômicos.
Ibrahim elogiou a liderança do presidente Lula, reconhecendo seu compromisso com o Sul Global, e destacou a “espetacular” participação do setor privado, que fortalece a base concreta de ação do bloco ao lado da liderança política.
Defensor do multilateralismo equilibrado, propôs que os países do Sul atuem com coesão e voz unificada, não em oposição ao Norte, mas como parceiros de igual para igual. Ele também defendeu reformas democráticas em instituições como a ONU, OMC, FMI e Banco Mundial, além de ações como o uso de moedas locais nas transações comerciais entre os países do BRICS.
Segundo Ibrahim, essa mudança exige coragem, solidariedade e articulação entre nações que compartilham uma história de exclusão, mas que agora podem ser protagonistas de uma nova ordem global baseada na justiça.
O caminho à frente para o BRICS
O BRICS 2025 representou um momento decisivo para o reposicionamento do bloco na geopolítica global. A Cúpula e o Fórum Empresarial deixaram claro que o BRICS é uma força de transformação global. Além disto, o conceito central transmitido por todas as lideranças foi claro: o crescimento do Sul Global requer colaboração estratégica entre Estado e mercado.
Com propostas concretas, consensos inéditos e forte articulação entre governo e setor produtivo, o encontro sinalizou um novo ciclo de cooperação focado em crescimento sustentável, justiça social e reformulação das estruturas internacionais de poder.
O Brasil teve participação ativa nesse processo, contribuindo de forma decisiva para pautas prioritárias como a transição verde, o fortalecimento do multilateralismo e o desenvolvimento integrado do Sul Global.
O encontro não apenas consolidou o protagonismo coletivo dos BRICS, como também reafirmou a relevância do bloco como voz legítima das economias emergentes e pilar essencial de um futuro mais equilibrado, justo e representativo.
Sobre o Fórum
O Fórum Empresarial do BRICS é uma plataforma para avançar a cooperação diante dos desafios globais, reunindo países membros para promover agenda de inovação, sustentabilidade e inclusão econômica. Organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Conselho Empresarial do BRICS (CEBRICS), o encontro reforçou o protagonismo do setor produtivo no bloco.
O evento contou com os patrocinadores XCMG, DP World, Keeta, WEG, Embraer, Vale, Febraban, Mebo International, Marfrig/BRF, SENAI, SESI, e IEL, além do apoio institucional do Conselho Nacional do Sesi, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), da Natura, do SEBRAE, da ApexBrasil e da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Vem aí
Este é o primeiro artigo de uma série que trará resumos de debates que aconteceram durante o Fórum Empresarial do BRICS. Nos próximos artigos, aprofundaremos nesses temas:
- Infraestrutura e conectividade logística: Logística é a chave para BRICS+ integrar economias
- Economia digital e inteligência artificial
- Energia limpa e bioeconomia
- Agronegócio regenerativo
- Moedas locais e mecanismos de financiamento
Acompanhe o site para conferir os resumos com os destaques de cada painel.




