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De 3 a 5 de junho de 2025, o Brasil sediou o 11º Fórum Parlamentar do BRICS, evento que reuniu representantes legislativos dos países membros e parceiros.
Sob o lema “Fortalecer a Cooperação do Sul Global para uma Governança Mundial mais Inclusiva e Sustentável”, o fórum abordou temas estratégicos, reafirmando o compromisso dos parlamentos em fortalecer o diálogo político, promover o intercâmbio de melhores práticas e construir uma nova ordem mundial mais justa e multipolar.
Estiveram presentes em Brasília parlamentares do Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, além de países parceiros como Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.
Ao sediar a edição neste ano, o Brasil reafirmou seu protagonismo na cooperação internacional na promoção de uma ordem mundial mais equilibrada, pautada pelo desenvolvimento sustentável, justiça social e multilateralismo.
Confira a seguir um resumo dos principais assuntos abordados no evento.
Governança global e protagonismo do Sul Global
Um dos pilares do fórum foi a discussão sobre a necessidade de uma reforma profunda nas instituições internacionais. Parlamentares defenderam veementemente a reestruturação de organismos como a ONU (Organização das Nações Unidas) e o sistema financeiro global, argumentando que as atuais estruturas são obsoletas e não refletem o crescente protagonismo de países do Sul Global.
A busca por uma governança global mais equitativa e representativa foi um clamor unânime, com o BRICS se posicionando como um agente de mudança para uma arquitetura multipolar nas relações internacionais.
Comércio, investimento e finanças
O fortalecimento do comércio dentro do bloco foi ponto focal, com discussões sobre estratégias para reduzir custos e barreiras não tarifárias. A expansão do uso de moedas locais nas transações comerciais entre os países do BRICS foi amplamente debatida como forma de reduzir a dependência de moedas estrangeiras e impulsionar a autonomia econômica do bloco.
Além disso, a pauta incluiu a promoção de investimentos e transferência de tecnologia para o desenvolvimento sustentável, bem como a exploração de instrumentos financeiros para tornar o BRICS mais resiliente e sustentável.
Críticas ao protecionismo comercial e ao unilateralismo nas relações econômicas também foram ressaltadas.
Inteligência Artificial
A ascensão da Inteligência Artificial (IA) foi tema de grande relevância, com foco na cooperação interparlamentar para uma IA responsável e inclusiva. Os debates abordaram a necessidade de equilibrar a proteção de direitos com a promoção da inclusão feminina na economia digital impulsionada pela IA.
A governança da Inteligência Artificial foi um dos seis temas prioritários da presidência brasileira, visando o desenvolvimento de marcos regulatórios que garantam o uso ético e benéfico da tecnologia para o desenvolvimento social, econômico e ambiental.
Crise climática e sustentabilidade
O diálogo interparlamentar sobre clima e sustentabilidade foi fundamental. Houve forte apelo para fortalecer as mulheres no enfrentamento à crise climática, reconhecendo seu papel essencial na busca por soluções sustentáveis. A defesa da sustentabilidade e do desenvolvimento sustentável foi constante, com o fórum buscando fortalecer a cooperação para o financiamento de ações contra as mudanças climáticas e a promoção de uma agenda ambiental robusta.
Saúde global e enfrentamento a pandemias
A cooperação em saúde global foi outro ponto de destaque. Os parlamentares do BRICS defenderam um acordo para o enfrentamento conjunto de futuras pandemias, buscando fortalecer a capacidade de resposta do bloco a crises de saúde. O foco incluiu a promoção do desenvolvimento sustentável e inclusivo na saúde, garantindo acesso equitativo a medicamentos, vacinas e tecnologias médicas essenciais. A parceria para a eliminação de doenças socialmente determinadas e negligenciadas, bem como o investimento em telessaúde e saúde digital, foram pontos de atenção.
Fortalecimento da cooperação Sul-Sul
O Brasil, ao assumir a presidência do BRICS em 2025, reforçou seu compromisso com a ampliação das relações Sul-Sul. O fórum serviu como uma plataforma para consolidar a cooperação entre países do Sul Global, promovendo parcerias para o desenvolvimento social, econômico e ambiental. A entrada de novos países no bloco foi vista como um reforço ao seu caráter inclusivo, unindo diversas nações na busca por justiça social, equilíbrio geopolítico e desenvolvimento sustentável.
Papel das mulheres parlamentares na Agenda BRICS 2025
A Reunião de Mulheres Parlamentares do BRICS foi outro momento importante do evento, discutindo como as mulheres podem ser agentes de transformação na era da IA e na crise climática, além de contribuir ativamente para a construção do futuro e da agenda do BRICS. Neste sentido, foi abordado também o papel do NDB (New Development Bank) no fomento de financiamentos sob a perspectiva de gênero.
Compromisso com a nova ordem mundial
O Fórum Parlamentar do BRICS Brasil resultou na aprovação de um documento conjunto que sintetizou os temas prioritários e as visões compartilhadas pelos parlamentos do bloco. Este documento servirá como roteiro para as ações futuras e será levado à Cúpula de Chefes de Estado que acontece em julho, reforçando o papel chave dos legislativos na promoção de uma governança global mais justa, inclusiva e adaptada aos desafios do século 21.
Além de encontro diplomático, o evento evidenciou a crescente influência do BRICS no cenário mundial. Com debates focados em inovação, tecnologia, sustentabilidade e sistema financeiro mais equilibrado, o fórum demonstrou a determinação do bloco em construir um futuro de prosperidade compartilhada e um sistema internacional mais equitativo.
Para mais informações, vale conferir o vídeo a seguir e a playlist do evento:




