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Em julho de 2025, o Fórum Empresarial do BRICS reuniu líderes empresariais, autoridades governamentais e delegações internacionais no Rio de Janeiro para discutir temas estratégicos para a cooperação entre os países do bloco. Um dos debates mais reveladores foi a sessão “Plataforma Global de Logística“, iniciativa que transformará a infraestrutura e os serviços logísticos entre os países BRICS.
Apresentado pela delegação dos Emirados Árabes Unidos – país com uma das infraestruturas mais eficientes do mundo -, o painel apresentou a chamada “Global Logistics Platform“, solução inovadora e digital para integrar cadeias de suprimentos, reduzir custos, impulsionar a digitalização de processos alfandegários e acelerar o desenvolvimento econômico sustentável entre os países do bloco.
A seguir, confira trechos impactantes da fala do Ministro de Estado para o Comércio Exterior dos Emirados Árabes Unidos, Dr. Thani bin Ahmed Al Zeyoudi, e do CEO e Chairman do Grupo DP World (operadora global de portos e logística, com investimentos estratégicos no Porto de Santos, principal terminal da América Latina), Sultan Ahmed bin Sulayem.
Nas apresentações, eles destacaram como a iniciativa pode revolucionar o comércio multilateral. Veja os principais trechos:
Ministro de Estado para Comércio Exterior dos Emirados Árabes Unidos
Dr. Thani bin Ahmed Al Zeyoudi

Thani bin Ahmed Al Zeyoudi
“O Brasil continua progredindo muito. O fórum de hoje é uma oportunidade para participar dessa comunidade de nações que vivem grandes transformações, com os mercados se abrindo para o mundo, investindo em inovação, empreendedorismo e perseguindo relações comerciais mais sólidas. Os Emirados Árabes Unidos estão fazendo o mesmo. Fazer parte do BRICS+ ressalta nossa crença em um cenário econômico de crescimento e colaboração. Vamos explorar este potencial e construir uma fundação sólida com cada país da rede BRICS+.
Em 2024, o comércio entre os Emirados Árabes Unidos e os BRICS+ chegou a US$ 343 bilhões, aumento de 10,5% em relação a 2023, impulsionado pelas exportações de petróleo. Essa tendência continua em 2025: no primeiro trimestre (1T25), o comércio não-petroleiro atingiu US$ 68,3 bilhões, crescimento de 18,2%. Podemos esperar que esse movimento se mantenha.
Garantimos comércio livre com a Índia, a Indonésia, a União Econômica da Eurásia e a Federação Russa. Isso abre acesso a mercados exportadores e atrai investimentos para setores essenciais. Esses números demonstram não apenas como nossas economias estão integradas, mas também os objetivos de longo prazo e laços de investimento e comércio.
Teremos resultados imediatos para todos nós, começando pela energia renovável. Somos parceiros em energia solar e eólica com a Índia, o Brasil e a África do Sul. Recentemente, trabalhamos em uma planta de 5 GW no Egito. Tecnologias avançadas, transferência de conhecimento, infraestrutura digital e inovação são essenciais para nossa relação com os países do BRICS+.
Apoiamos o desenvolvimento de infraestrutura digital, fintechs e sistemas de pagamento transfronteiriços. Temos saúde, biotech e produção farmacêutica, área que impulsionará a expansão econômica juntamente com impacto social de longo prazo.
Para atender à demanda por segurança alimentar em nossos países, teremos um número crescente de produtores e uma demanda crescente de consumidores, além de avanços em cultivos e processamento de alimentos nos países do BRICS+ — do Brasil à Índia.
Por fim, investimos em infraestrutura de logística e transporte, isso é a chave para colher os benefícios desse comércio. Temos projetos na Etiópia, África do Sul e Egito e vamos aprimorar cadeias de suprimento vitais. Já operamos hubs comerciais com a China e a Índia e queremos nos conectar a consumidores de todo mundo. Aqui no Brasil, a logística apoia a expansão do Porto de Santos, refletindo a crença de que a conectividade é essencial para promover o desenvolvimento econômico. Isso será central para o sucesso dos BRICS+.
Os Emirados Árabes Unidos podem atuar por meio de cooperação internacional. Estamos prontos para trabalhar com todos os membros e concretizar o potencial dessa comunidade.”
CEO & Chairman do DP World group
Sultan Ahmed bin Sulayem

Sultan Ahmed bin Sulayem
“Nós nos orgulhamos de sermos membros do BRICS+, temos compromisso total com o sucesso dessa aliança. Os Emirados Árabes Unidos se tornaram um hub fundamental para facilitar comércio, logística e cooperação transfronteiriça. Juntos, os países do BRICS+ podem aproveitar grandes oportunidades econômicas e criar crescimento sustentável.
Os riscos de termos uma única cadeia de fornecimento são grandes. Por isso, é mais urgente do que nunca que reforcemos nossas redes de comércio e ampliemos nossos fluxos de comércio entre os países membros. Os Emirados Árabes Unidos estão trabalhando com parceiros do BRICS+ para fazer exatamente isso.
O Brasil é um mercado fundamental para nós. Até o momento, já investimentos mais de R$ 5 bilhões em iniciativas no setor público e privado. Me orgulho em dizer que a DP World está aumentando suas operações no Porto de Santos com milhões de investimentos planejados até 2027.
Os Emirados Árabes Unidos desempenham papel ativo no Conselho Empresarial do BRICS. Quero destacar duas iniciativas importantes. Temos a Plataforma Global de Logística, anunciada na Cúpula dos BRICS em dezembro do ano passado. De lá para cá, avançamos consideravelmente. Essa plataforma será um hub global proporcionando colaboração, melhorias na cadeia de suprimentos e resiliência. Ela conta com apoio da Rússia, do Brasil e de outros países. Vamos lançar a plataforma oficialmente durante a conferência de Dubai no ano que vem.
Outro foco é nosso corredor internacional de comércio. Acreditamos que corredores internacionais de comércio podem transformar o modo como bens, serviços e ideias se movimentam entre países. Vamos construir rotas de comércio mais inteligentes e resilientes. Isso não é só para carga: vamos conectar indústrias, criar oportunidades e prosperidade. A chave para nosso sucesso coletivo será a efetividade na forma como conectamos mercados.
Para concluir, os Emirados Árabes Unidos apoiam a missão do BRICS+ e os objetivos do conselho de negócios. Juntos podemos impulsionar a conectividade, ampliar o comércio e incentivar a prosperidade para todos os países. Estou empolgado para avançar nesta colaboração e convido todos e todas para irem à Dubai para a Cúpula Global de Logística no ano que vem. Que possamos trabalhar juntos para construir uma economia mais conectada, resiliente e globalizada”.
Novo polo logístico global
Visão estratégica por trás da plataforma
A plataforma prevê o desenvolvimento de um sistema digital unificado que conecta importadores, exportadores, prestadores de serviços logísticos e autoridades governamentais.
Entre os recursos planejados estão o uso de tecnologia blockchain, automações de alfândega e inteligência de dados, com ênfase especial no acesso facilitado para pequenas e médias empresas (PMEs) — que, muitas vezes, enfrentam dificuldades para participar do comércio internacional.
Rotas mais eficientes entre os países do BRICS+
Um ponto central da discussão foi a criação de novas rotas logísticas multimodais, baseadas em estudos reais de demanda de carga e passageiros. O objetivo é conectar hubs estratégicos entre os BRICS+ e reduzir drasticamente o tempo e o custo de transporte.
Também foi proposta a criação de uma força-tarefa conjunta entre governos e setor privado para diagnosticar gargalos logísticos e impulsionar projetos de infraestrutura moderna.
Financiamento e sustentabilidade como pilares da plataforma
Apoio do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB)
A viabilização da plataforma e de novas rotas dependerá de financiamento robusto. Por isso, o Conselho propôs que o NDB (New Development Bank), também conhecido como Banco do BRICS, crie um fundo dedicado a projetos logísticos privados. Além disso, o NDB deve acelerar a aprovação de projetos de infraestrutura de baixa emissão de carbono, alinhando-se aos compromissos climáticos do grupo.
Logística sustentável e inteligente
A plataforma global de logística foi pensada com foco em sustentabilidade. O incentivo ao uso de combustíveis limpos, transporte ferroviário e a promoção de hubs verdes de distribuição estão no centro da proposta, posicionando os BRICS+ como líderes de uma logística global mais eficiente e menos poluente.
Comércio intra-BRICS: o motor da integração econômica
Menos barreiras, mais conexão
Ao facilitar o transporte, digitalizar processos e harmonizar normas, a Plataforma visa impulsionar o comércio intra-BRICS, hoje ainda aquém de seu potencial. O projeto prevê o uso de tecnologias como DLT (Distributed Ledger Technology) e contratos inteligentes, garantindo mais segurança, transparência e velocidade nas operações.
10 benefícios para o Brasil (e países do BRICS+)
- Redução de custos logísticos por tonelada exportada
A digitalização, padronização de processos e otimização de rotas proporcionadas pela plataforma podem reduzir os custos logísticos em aproximadamente 15% a 20%, como observado em países com sistemas logísticos digitais avançados (Fonte: Banco Mundial – Logistics Performance Index 2023; UNCTAD – Digitalization and Trade Facilitation Report – 2022). - Acesso ampliado a mercados estratégicos dos BRICS
A plataforma facilitará o comércio com parceiros como China, Índia e África do Sul, que já importam grandes volumes de produtos brasileiros como soja, carne, minérios e aeronaves (Fonte: OMC – Trade Profiles 2024; ITC Trade Map – Exportação Brasil por destino). - Agilidade nos trâmites aduaneiros e alfandegários
A digitalização de documentos e integração de sistemas pode reduzir o tempo médio de liberação de cargas em até 44%, elevando a eficiência nas exportações (Fonte: UNCTAD – Automated Customs Systems Study -2023; World Customs Organization – Single Window Implementation Guide). - Fortalecimento de corredores logísticos Sul-Sul
A integração de infraestruturas na América do Sul impulsiona novas rotas intercontinentais e permite acesso a novos mercados, minimizando dependência das tradicionais trilhas Norte‑Sul. - Valorização dos produtos brasileiros com rastreabilidade digital
Produtos agrícolas, pecuários e minerais terão mais competitividade com rastreamento digital (blockchain, QR codes de origem e certificados online), atendendo às exigências de mercados asiáticos e europeus. - Atração de investimentos em infraestrutura logística brasileira
A integração do Brasil à plataforma logística dos BRICS pode consolidar o país como hub estratégico, estimulando o interesse de investidores nacionais e estrangeiros. Estudos do BNDES e do Ministério dos Transportes indicam que esse posicionamento tende a atrair capital para a modernização de ferrovias, portos e centros intermodais, ampliando a competitividade logística do país. - Expansão das exportações de PMEs brasileiras
De acordo com o Sebrae, a desburocratização e a digitalização do comércio exterior reduzem custos e complexidade, possibilitando que micro, pequenas e médias empresas ampliem sua competitividade nos mercados internacionais. A plataforma foi idealizada como ferramenta de inclusão econômica, oferecendo soluções acessíveis e simplificadas para PMEs que enfrentam altos custos logísticos e barreiras comerciais. - Redução da pegada ambiental nas exportações
Operações logísticas mais eficientes, com digitalização e integração modal, podem gerar redução nas emissões de CO₂ no transporte internacional (Fonte: IPEA – Logística Sustentável no Brasil – 2022; World Economic Forum – Trade and Climate Report – 2021). - Menor dependência de sistemas logísticos e financeiros ocidentais
A plataforma poderá operar com moedas locais (como o real e o yuan) e sistemas próprios de pagamentos e logística, aumentando a soberania comercial brasileira (Fonte: BRICS Policy Center – Estudos sobre Desdolarização – 2023; BIS – Cross-Border Payment Systems Overview). - Protagonismo do Brasil na governança do comércio global
Ao participar da criação e gestão da plataforma, o Brasil fortalece sua influência sobre padrões logísticos e digitais em um cenário multipolar emergente (Fonte: Itamaraty – Declarações Conjuntas do BRICS; BRICS Think Tank Council).
Conclusão: BRICS se posiciona como nova potência logística
A Plataforma Digital de Comércio e Logística representa um passo essencial para que os países do BRICS unam forças rumo a uma vasta integração produtiva, tornando-se referência em logística eficiente, sustentável e digital, voltada para a prosperidade compartilhada.




