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Enquanto as mudanças climáticas são temas de debate no mundo, duas iniciativa estratégicas – e fora do radar da maioria dos brasileiros – avançam na área espacial e ambiental. O Brasil está envolvido no desenvolvimento de um satélite multilateral pelos países do BRICS para monitoramento climático global, além de ter assinado outro projeto de satélite sino-brasileiro que conheceremos a seguir.
Como será o satélite do BRICS para monitoramento climático?
Com lançamento previsto para 2027, o projeto do satélite desenvolvido pelo Brasil, China e Índia será um dos destaques da Cúpula dos Chefes de Estado dos BRICS, que ocorre nos dias 6 e 7 de julho de 2025, no Rio de Janeiro.
A proposta é criar uma plataforma multilateral para monitoramento climático em tempo real, voltada a desafios globais como desmatamento, escassez hídrica e emissões de gases do efeito estufa. O projeto representa um avanço estratégico na cooperação Sul-Sul, reforçando a soberania ambiental dos países envolvidos e ampliando o acesso a dados climáticos confiáveis.
Principais funções:
- Monitorar desmatamento e incêndios florestais, com foco na Amazônia.
- Acompanhar reservatórios de água doce, como o Aquífero Guarani.
- Medir emissões de metano em regiões agrícolas.
- Rastrear geleiras do Himalaia e padrões de monções asiáticas.
- Compartilhar dados em tempo real por meio de uma plataforma digital conjunta dos BRICS.
Como o satélite será desenvolvido tecnicamente?
O satélite será desenvolvido de forma colaborativa, integrando tecnologias de ponta dos três países:
- China: responsável pela plataforma e sistemas de propulsão, com tecnologia derivada dos satélites Gaofen.
- Brasil: através do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), criará sensores específicos para o monitoramento da Amazônia, de queimadas e de biomas tropicais.
- Índia: através da agência espacial ISRO, projetará os instrumentos voltados à análise de monções e ao rastreamento de geleiras do Himalaia.
Todas as informações geradas serão compartilhadas entre os países membros, contribuindo para alertas antecipados, respostas rápidas a desastres climáticos e formulação de políticas públicas baseadas em evidências científicas.
CBERS-5: Brasil e China fortalecem cooperação espacial
Além do Satélite dos BRICS, o Brasil também avança em outra importante missão espacial: o desenvolvimento do CBERS-5 (China–Brazil Earth Resources Satellite-5), o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres-5, que atuará nas áreas de agricultura, defesa civil e desastres naturais.
Previsto para ser lançado em 2030, o CBERS-5 será o primeiro da série a operar em órbita geoestacionária, permitindo o monitoramento contínuo de uma mesma região, com foco principal no território brasileiro.
A missão promete revolucionar o acompanhamento de áreas agrícolas, a previsão de secas, queimadas e enchentes e o suporte à defesa civil por meio de imagens em tempo real, fornecendo dados para que o governo brasileiro possa tomar medidas de forma proativa.
A parceria Brasil-China na área espacial já soma 35 anos e é considerada uma das mais duradouras e estratégicas do Sul Global. Segundo Luciana Santos, Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, o Brasil está comprometido com um investimento robusto no programa espacial nacional, em colaboração com a China. “Queremos renovar essa parceria e atender às expectativas dos nossos presidentes”, afirmou a ministra.
O engenheiro-chefe da Administração Nacional do Espaço da China (CNSA), Li Guoping, destacou o caráter simbólico da missão:
“O CBERS-5 representa mais do que tecnologia – é um símbolo da confiança mútua e da visão compartilhada entre nossos países.”
Por que isso é importante para o Brasil?
O Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta e a maior floresta tropical do mundo. Monitorar e proteger esses recursos é essencial tanto para o país quanto para a estabilidade climática global. Essas iniciativas permitirão:
- Fortalecer a atuação do Brasil diante das mudanças climáticas.
- Fornecer dados estratégicos para políticas públicas ambientais.
- Melhorar a imagem internacional do Brasil em sustentabilidade.
- Consolidar o protagonismo brasileiro na agenda climática global.
Futuro de cooperação e sustentabilidade
O envolvimento do Brasil em projetos como o satélite climático dos BRICS e o CBERS-5 vai além da ciência: representa soberania tecnológica, diplomacia verde e estratégia de longo prazo.
Enquanto essas missões avançam longe dos holofotes da grande mídia, é essencial que sociedade, imprensa, universidades e movimentos ambientais acompanhem a evolução destes importantes projetos.
O clima não tem fronteiras
O Satélite Climático dos BRICS e o CBERS-5 representam grandes passos do Brasil em direção a uma atuação ambiental tecnológica e responsável, baseada em dados e cooperação com outras potências emergentes.
O futuro do clima está sendo monitorado em tempo real e o Brasil está no centro da órbita. A cooperação entre países emergentes será decisiva para garantir a sustentabilidade da vida no planeta.




