
Ano Novo Chinês é tema de nova série do Instituto CPFL
14 de fevereiro de 2026
Brasil-China: como funciona o comércio em moeda local
26 de fevereiro de 2026Protagonista no comércio global, país mais populoso do mundo já é a quarta maior economia e acaba de fechar novos acordos com o Brasil.
Por muito tempo, a Índia foi vista por imagens que não acompanharam sua transformação. Essa narrativa persistiu, mesmo enquanto a economia, a tecnologia e a sociedade do país avançavam em ritmo acelerado. Em 2026, os dados já não permitem visões do passado.
A Índia é hoje protagonista em áreas como tecnologia, inteligência artificial, pagamentos digitais, saúde, indústria farmacêutica e diplomacia econômica.
Com cerca de 1,5 bilhão de habitantes, o país se tornou um novo polo de poder. A Índia dialoga simultaneamente com o BRICS+, o Ocidente e o Sul Global, mostrando um exemplo de como fazer negócios no mundo multipolar.
13 verdades que explicam a ascensão da Índia
1) Uma das maiores economias do mundo
Com PIB ao redor de US$ 4,5 trilhões, a Índia superou o Japão e ocupa a quarta posição global. O crescimento próximo de 7% ao ano é sustentado por consumo doméstico, investimento público em infraestrutura e expansão industrial. Enquanto economias avançadas enfrentam baixo dinamismo e envelhecimento populacional, a Índia combina crescimento acelerado com estabilidade macroeconômica consolidada.
2) Quase 1,5 bilhão de habitantes e idade média de 29 anos
A Índia é o país mais populoso do mundo e um dos mais jovens. Sua idade média é de 29 anos — a mais baixa entre as grandes economias. Mais de um quarto da população tem entre 10 e 26 anos. Isto significa força de trabalho crescente, mercado consumidor em expansão e maior capacidade de absorção tecnológica.
3) Infraestrutura digital pública: inclusão em massa
Dois sistemas sustentam uma das maiores revoluções financeiras do mundo:
- Unified Payments Interface (UPI): processa bilhões de transações mensais e responde pela maior parte dos pagamentos digitais no país.
- Aadhaar: identificação biométrica com cobertura superior a 1,3 bilhão de pessoas.
Milhões que estavam fora do sistema bancário hoje acessam crédito, transferências governamentais e serviços financeiros pelo celular. A formalização amplia produtividade e arrecadação.
4) Inteligência artificial como política de Estado
A Índia criou um programa nacional de IA com orçamento superior a US$ 1 bilhão, subsidiando infraestrutura computacional e promovendo modelos próprios aplicados à agricultura, saúde e educação.
Parcerias aceleram essa agenda. A NVIDIA, por exemplo, coopera na expansão de capacidade computacional, vendo a Índia como um dos mercados mais promissores do mundo para IA.
5) Gigantes globais e locais apostam em data centers
Empresas como Google, Microsoft e Amazon ampliam investimentos em nuvem na Índia, enquanto o Adani Group constrói data centers movidos a energia renovável. Mais recentemente, a NVIDIA também firmou parceria com a gigante de engenharia indiana Larsen & Toubro (L&T) para erguer no país um data center de IA em escala de gigawatts, reforçando a ambição indiana no setor.
6) Ecossistema de inovação robusto
Com mais de 100 unicórnios, o país possui o terceiro maior ecossistema de startups do mundo, impulsionado por iniciativas como o Make in India, que fortalece a manufatura e a inovação. Cidades como Bengaluru e Hyderabad tornaram-se polos mundiais de engenharia e tecnologia.
7) Conquista espacial
A agência espacial Indian Space Research Organisation tornou a Índia o primeiro e único país a realizar um pouso controlado no polo sul da Lua, com a missão Chandrayaan-3. Com o programa tripulado Gaganyaan, o país agora se prepara para enviar astronautas ao espaço com tecnologia própria — consolidando capacidade em engenharia avançada e indústria de ponta.
8) Farmácia do mundo
A Índia responde por cerca de 20% dos medicamentos genéricos globais (e por aproximadamente 40% das importações americanas nessa categoria). É estratégica na produção de vacinas, insumos farmacêuticos e biossimilares — setor que se tornou ativo geopolítico após a pandemia.
9) Transição energética acelerada
Mais de 50% da capacidade instalada de geração elétrica já vem de fontes não fósseis, meta atingida antes do prazo assumido no Acordo de Paris. A expansão de energia solar, eólica e nuclear reduz vulnerabilidades externas e atrai investimentos internacionais voltados à transição energética.
10) Urbanização acelerada e infraestrutura social
A cada ano, a Índia adiciona o equivalente a uma cidade de São Paulo à sua população urbana, ampliando a demanda por estradas, aeroportos, moradia, saneamento e transporte em escala nacional. Em paralelo, acelera a expansão do acesso a saneamento e água encanada em áreas rurais e urbanas, além de fortalecer programas de emprego e proteção social, os quais reduziram de forma expressiva a pobreza extrema nos últimos anos.
11) Índia é o terceiro país com mais bilionários do mundo
Segundo a Forbes 2025, a Índia tem 205 bilionários — o terceiro maior número global, atrás apenas de EUA e China. Nomes como Mukesh Ambani (US$ 105 bilhões) e Gautam Adani (US$ 92 bilhões) lideram no país. Ao mesmo tempo, a Índia lidera como origem de bilionários estrangeiros nos EUA (12 no ranking de imigrantes bilionários da Forbes 2025, superando Israel), com executivos como Sundar Pichai (Google) e Satya Nadella (Microsoft) comandando gigantes globais.
12) Diplomacia econômica e liderança financeira emergente
A Índia é membro central do BRICS e desempenha papel fundamental no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), criado para financiar infraestrutura e projetos sustentáveis em economias emergentes. Ao mesmo tempo, mantém acordos e comércio com os EUA, a União Europeia (com quem fechou recentemente um acordo de livre comércio que criou mercado de cerca de 2 bilhões de habitantes) e a Rússia, posicionando-se como um dos poucos países capazes de negociar com todos os grandes polos de poder.
A estratégia é clara: atuar simultaneamente nos grandes fóruns globais e nas coalizões emergentes, sem dependência exclusiva de um único eixo.
13) Parceria com o Brasil
A parceria Brasil-Índia, em curso há anos, ganhou forte impulso com a visita de Estado do presidente Lula a Nova Délhi em fevereiro de 2026, quando foram assinados oito acordos e memorandos. O comércio bilateral superou US$ 15 bilhões em 2025 (alta de ~25% sobre 2024), com meta revisada para US$ 20-30 bilhões até 2030, priorizando cadeias de alto valor, tecnologia e transição energética.
Entre os destaques:
- Memorando inédito sobre minerais críticos e terras raras: cooperação em exploração, processamento, aplicações em IA, investimentos recíprocos e transferência de tecnologia, reduzindo dependências externas e ampliando autonomia.
- Saúde e ciência: entendimentos para ampliar cooperação em pesquisa, produção farmacêutica, insumos e inovação em saúde pública — área em que a Índia é referência em genéricos e vacinas.
- Embraer aprofunda parceria com a Adani Defence & Aerospace para instalar linha de montagem final do E175 na Índia, com manufatura local, cadeia de suprimentos e manutenção — avanço do MoU firmado em janeiro de 2026.
- Vale assinou acordo com a Adani Ports (Gangavaram) e a NMDC para ampliar presença na Índia com grande estrutura ligada ao minério de ferro, capaz de movimentar até 75 milhões de toneladas por ano e fortalecer o fluxo de exportações entre os dois países.
Esses movimentos diversificam cadeias globais de suprimento e ampliam investimentos bilaterais em setores-chave.
“O encontro entre Índia e Brasil é um encontro de superlativos. Não somos apenas as duas maiores democracias do Sul Global. Esta é a reunião de uma superpotência digital com uma superpotência de energia renovável.”
Lula durante visita de Estado à Índia
Conclusão
A Índia reúne elementos essenciais para figurar entre grandes potências do século 21: escala demográfica jovem, crescimento econômico consistente, inclusão social, digitalização pública em massa, indústria farmacêutica, protagonismo crescente na governança financeira das economias emergentes via BRICS e NDB, transição energética acelerada e ambição tecnológica em IA e espaço.
Ao mesmo tempo em que amplia acordos com EUA e Europa, consolida protagonismo entre economias emergentes. Essa combinação rara de mercado interno colossal, inovação e diplomacia pragmática explica por que a Índia não apenas já figura entre as maiores — ela tem base concreta para se tornar uma das três principais economias do mundo nesta década.
Foto da Capa: Ricardo Stuckert/PR








