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14 de fevereiro de 2026Países estabeleceram metas para cooperação em comércio, tecnologia, energia e cultura, em meio a preparativos para os 200 anos de relações diplomáticas em 2028.
Em 5 de fevereiro de 2026, o presidente Lula recebeu o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin em Brasília, em meio a uma série de eventos bilaterais que reforçaram a parceria no âmbito do BRICS.
O encontro entre os líderes integrou a agenda da 8ª Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN), que também contou com o Fórum Empresarial Brasil-Rússia organizado pela ApexBrasil – eventos que contaram com a participação ativa do premiê russo e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
No encontro com o primeiro-ministro russo, Lula enfatizou a necessidade de resultados rápidos e concretos para os dois países, defendendo o fortalecimento do multilateralismo e a ampliação do comércio — haja vista o imenso potencial ainda pouco explorado entre as duas economias, cujas cifras atuais não refletem o tamanho e a capacidade produtiva do Brasil e da Rússia.
Mishustin, por sua vez, valorizou as relações amistosas baseadas em respeito mútuo e parceria estratégica, informando que Brasil e Rússia concordaram em adotar medidas adicionais para ampliar o comércio, atrair investimentos e desenvolver projetos conjuntos em áreas como energia, indústria, agricultura, alta tecnologia, ciência, cultura e exploração espacial.
Além disso, a Rússia se colocou à disposição para compartilhar tecnologia nuclear pacífica, inteligência artificial, soluções em transição energética e digitalização.
Como os acordos serão implementados
Para tirar os acordos do papel, Brasil e Rússia definiram quem faz o que e quando. A estrutura tem três níveis com prazos claros:
- Nível político (CAN): Define as metas.
- Nível técnico (CIC – Comissão Intergovernamental): Transforma metas em projetos. A próxima reunião será em maio de 2026.
- Nível setorial (Comitês): Avança em áreas específicas. O Comitê Agrário, por exemplo, se reúne ainda em 2026.
Além disso, um Plano de Consultas (2026-2029) garante que o diálogo entre diplomatas não pare. Com essas reuniões já marcadas, os acordos têm um caminho real para se tornarem realidade.
Avanços e próximos passos em áreas estratégicas
1. Comércio, Agronegócio e Soberania Financeira
Para destravar o comércio bilateral, os países atacarão gargalos em múltiplas frentes. No setor do agronegócio, por exemplo, a ação imediata será a integração dos sistemas de informação sanitários entre autoridades, visando agilizar significativamente o fluxo de produtos.
Paralelamente, na área financeira, Brasil e Rússia reforçaram a cooperação já em andamento sobre instrumentos de pagamento contemporâneos. Eles manifestaram apoio ao aprofundamento do diálogo entre os bancos centrais sobre temas da agenda financeira.
Além disso, saudaram o estabelecimento, em 2025, do Diálogo Econômico e Financeiro Bilateral — iniciativa que une o Ministério da Fazenda do Brasil ao Ministério das Finanças da Rússia.
2. Infraestrutura e Logística
Para que os avanços comerciais e financeiros se materializem, a parceria também focará na infraestrutura operacional. A ação se dará em duas frentes complementares:
- Na fronteira: As autoridades aduaneiras dos dois países darão continuidade à cooperação técnica. O objetivo é garantir que o aumento do fluxo de mercadorias ocorra com segurança, legalidade e a maior agilidade possível, removendo entraves burocráticos.
- No ar: Para ampliar a conexão direta entre os países, Brasil e Rússia acordaram realizar consultas técnicas com a maior brevidade possível entre suas autoridades de aviação civil. Este é o passo prático inicial que pode pavimentar o caminho para o estabelecimento de voos diretos, facilitando não só o comércio, mas também o fluxo de turistas e executivos.
3. Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I)
A cooperação foi projetada para a fronteira do conhecimento, com foco em 11 áreas de ponta, como inteligência artificial, tecnologias quânticas e projetos “MegaScience” (iniciativas científicas de grande porte que exigem cooperação internacional).
A ambição agora é tornar concreta a agenda. O primeiro passo será colocar em andamento projetos já definidos, como a estação de pesquisa climática conjunta “Espelho de Carbono na Amazônia”. O objetivo é criar estruturas permanentes de pesquisa, como laboratórios e programas compartilhados.
4. Energia, Fertilizantes e Segurança Estratégica
A parceria visa fortalecer dois pilares de segurança nacional: a energética e a alimentar. Para isso, os países concordaram em um plano de ação claro.
- Fertilizantes: O acordo prevê a intensificação de investimentos na produção nacional, combinando a forte demanda brasileira com tecnologia e potencial de investimento russo. O objetivo direto é reduzir a dependência externa e fortalecer a segurança do setor agrícola brasileiro.
- Energia Nuclear: Em uma frente paralela e de alta tecnologia, a Rússia confirmou sua disposição para compartilhar conhecimento em energia nuclear pacífica. Esta cooperação teria dois focos práticos: a produção de radioisótopos para medicina (usados em diagnósticos e tratamentos de câncer) e projetos conjuntos na geração de energia elétrica, diversificando a matriz energética brasileira.

8ª Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação, no Palácio do Itamaraty (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
5. Espaço, Defesa e Aplicações de Alta Fronteira
A dinâmica cooperação espacial – que inclui navegação por satélite e sensoriamento remoto – será aprofundada com o desenvolvimento de capacidades conjuntas de observação da Terra. Além da fronteira espacial, as nações manifestaram interesse mútuo em áreas sensíveis como segurança cibernética e tecnologias industriais digitais, indicando diálogo estratégico mais amplo.
6. Meio Ambiente e Governança Global
Brasil e Rússia assumiram uma posição de liderança conjunta em uma pauta global urgente, alinhando-se para pressionar por um acordo internacional obrigatório contra a poluição por plásticos. No plano bilateral, o próximo passo é fortalecer a cooperação prática em conservação da biodiversidade e gestão sustentável de recursos hídricos.
Esta parceria também fortalece a posição dos dois países no mundo. Como potências centrais no BRICS, Brasil e Rússia defendem juntos um sistema internacional mais equilibrado. Um exemplo concreto desse alinhamento é o apoio russo a um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
7. Cultura, Educação e a Diplomacia das Sociedades
Para criar laços duradouros entre as sociedades, a parceria atua em duas frentes principais: a criativa e a acadêmica.
- Na frente criativa, a meta é finalizar a negociação de um acordo de coprodução audiovisual e fomentar parcerias diretas entre instituições. Isso inclui um diálogo ampliado entre museus, teatros e companhias de artes circenses, além do fortalecimento de contatos entre federações esportivas para a organização de eventos conjuntos. Essa rede de intercâmbio segue o caminho aberto por iniciativas de sucesso consolidadas, como a Escola do Balé Bolshoi em Joinville (SC).
- Na frente acadêmica e técnica, o foco é a formação de especialistas e a pesquisa conjunta. Isso se materializa em consórcios universitários já estabelecidos, como o Consórcio Brasileiro-Russo de Universidades Tecnológicas do setor de combustíveis e energia, que conecta instituições de ponta dos dois países.
Conclusão: parceria de interesses mútuos e visão compartilhada
Brasil e Rússia demonstram que países em desenvolvimento podem estabelecer agendas de cooperação que atendam a seus interesses nacionais.
Para o Brasil, significa acesso a tecnologia e investimentos em setores críticos como energia e segurança alimentar. Para a Rússia, consolida sua principal aliança política e econômica na América Latina.
Por fim, o caminho traçado em Brasília tem um horizonte claro: fazer dos 200 anos de relações diplomáticas, em 2028, a demonstração da maturidade e dos frutos desta parceria.
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Foto da capa: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Demais fotos: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil






