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29 de agosto de 2025O que a grande mídia ignora e não quer que você saiba sobre o progresso africano.
Nunca me conformei com o silêncio ensurdecedor e a cobertura enviesada que a África recebe no noticiário econômico global. Os interesses por trás dessa cortina de fumaça são obscuros e poderosos, mas a verdade é muito forte para continuar escondida.
- Por que somos mantidos na ignorância sobre a expansão econômica do continente?
- Por que insistem em nos vender apenas a narrativa fossilizada do Terceiro Mundo, focada em crise e miséria?
- O que há por trás dessa “filtragem” – chamada no jornalismo de “gatekeeping” – que nos priva de conhecer verdades econômicas impressionantes sobre a África?
Enquanto a mídia ocidental frequentemente insiste na visão reducionista focada em desafios, pobreza e conflitos (que existem como em todo lugar), a grande verdade é que uma transformação econômica de poder avassalador está em curso diante dos nossos olhos vendados.
Com uma população jovem, recursos estratégicos riquíssimos que o mundo cobiça (os quais explicam golpes, conflitos e guerras) e integração crescente no Sul Global (incluindo o BRICS+), a África não pede licença: ela já reescreve sua história econômica. Prepare-se para desconstruir paradigmas e atualizar sua visão sobre o continente africano:
1. O futuro é jovem e africano: 1 bilhão de jovens até 2050
A África possui a população mais jovem do planeta (!) com idade mediana de 19,7 anos, segundo dados de 2025 do Banco Mundial. Até 2050, abrigará 25% da força de trabalho global de acordo com a projeção da ONU, ou seja, 1 em cada 4 jovens do mundo será africano. Este avanço populacional é um motor econômico incomparável, atraindo investimentos massivos em educação, tecnologia e indústrias de consumo.
2. Expansão bem acima da média global
Enquanto economias avançadas estão estagnadas, a África demonstra enorme força e resiliência. Relatório do FMI de 2025 projeta crescimento de 4% para a África Subsaariana em 2025, superando a média global de 3%. Potências como a Etiópia (6,6%), Costa do Marfim (6,5%–6,8%) e Ruanda (7%) lideram esta corrida com investimentos em infraestrutura, classe consumidora em expansão e reformas econômicas audaciosas.
Nota da autora: Ainda noto preconceito e sarcasmo no mercado financeiro brasileiro e global sempre que o nome da Etiópia é mencionado como parceiro do BRICS+. Cabe então desconstruí-los: o estigma racista de que a Etiópia é um país “miserável” é uma visão ultrapassada, presa à crise dos anos 1980.
Os tempos são outros e hoje a Etiópia cresce 6,6% (FMI) a 7,2% (Banco Africano de Desenvolvimento) ao ano, lidera a produção africana de café (US$ 1,2 bilhão em exportações em 2024) e avança para autossuficiência em trigo. A Grande Barragem do Renascimento (6.450 MW) consolida sua liderança em energia renovável e Addis Abeba, sede da União Africana, é um hub global. Com 100 mil graduados em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) por ano e a Ethiopian Airlines conectando 40 países africanos, a Etiópia desmonta estereótipos coloniais e neocoloniais, projetando PIB de US$ 6,2 trilhões até 2075.
3. Potencial agrícola global
A África tem cerca de 60% das terras aráveis não cultivadas do mundo, sinalizando potencial agrícola promissor. Com técnicas modernas e investimentos em irrigação, armazenamento e logística, o continente poderá garantir segurança alimentar e tornar-se um celeiro do mundo. Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento, o mercado agrícola africano deve alcançar US$ 1 trilhão até 2030.
Nesse contexto, a África vem atraindo investimentos bilionários de parceiros estratégicos, como Rússia (desde a União Soviética, em energia e agricultura) e China (via Belt and Road desde 2000). Tais aportes têm fortalecido significativamente a capacidade produtiva do setor.
Vale destacar que o Brasil – via Embrapa – também tem estreitado laços com a África: a similaridade climática e geológica (herança do antigo supercontinente Gondwana) favorece a cooperação em sementes, tecnologia agrícola e adaptação climática.
4. Líder em energias renováveis
A África é uma potência em energia verde, possuindo cerca de 39% do potencial global de energia solar graças a sua vasta área com alta irradiação solar, segundo dados da IRENA (Agência Internacional de Energia Renovável). O continente é um polo de inovação, com projetos de grande escala em energia solar, eólica, geotérmica e hidrelétrica.
Iniciativas no Quênia (Parque Eólico de Lake Turkana), Egito (Parque Solar Benban) e Marrocos (complexo solar Noor), por exemplo, atraem expressivos investimentos globais, consolidando a região como um hub na transição energética mundial.
5. Área de Livre-Comércio Continental Africana
A implementação contínua da Área de Livre-Comércio Continental Africana (AfCFTA) é um dos projetos econômicos mais transformadores da atualidade. Ao integrar 54 países e um mercado de 1,4 bilhão de pessoas, com um PIB combinado estimado em US$ 3,4 trilhões, o acordo tem o potencial de aumentar o comércio intra-africano em 52% de acordo com a Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (UNECA), criando cadeias de valor regionais e reduzindo a dependência histórica de mercados externos.
6. Boom da economia digital e inovação
A África lidera uma revolução financeira digital, transformando vidas com serviços financeiros inovadores (fintechs). Com cerca de 900 milhões de linhas móveis em 2025 (GSMA), plataformas como M-Pesa (Quênia) e Flutterwave (Nigéria) permitem pagamentos e transferências pelo celular. Essas transações financeiras digitais na África Subsaariana devem superar US$ 1,2 trilhão em 2025, promovendo um modelo acessível que conecta comunidades ao mercado global.
Cidades como Lagos, Nairóbi, Cidade do Cabo e Kigali atraem bilhões em investimentos, consolidando a região como um polo de inovação.
7. Integração no BRICS+ e Sul Global
A expansão do BRICS+, com a entrada de Egito, Etiópia e a presença já estabelecida da África do Sul, marcou um avanço geoeconômico estratégico. Esse movimento destaca a crescente importância da África no novo mundo multipolar, promovendo comércio em moedas locais, investimentos em infraestrutura (como ferrovias na Etiópia e projetos no Canal de Suez no Egito) e cooperação técnica em energia e agricultura.
8. Reservas minerais: chave para transição energética
A África é uma potência mineral indispensável para o futuro tecnológico e verde, detendo cerca de 30% das reservas minerais globais. De acordo com o USGS (United States Geological Survey) e Banco Mundial, o continente lidera as cadeias globais de suprimento com aproximadamente 70% do cobalto mundial (essencial para baterias de veículos elétricos), 50% do manganês (fundamental para energia renovável), 90% da platina (vital para tecnologias de hidrogênio) e 46% dos diamantes – isto sem falar nas imensas reservas de ouro.
Essa riqueza geológica posiciona o continente como um dos protagonistas na transição energética, atraindo investimentos e oportunidades para inovação sustentável, enquanto fortalece sua influência em um mundo cada vez mais dependente de tecnologias limpas.
9. Mercados de capitais em ascensão
Os mercados financeiros africanos ganham destaque global. A Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE) figura entre as 20 maiores do mundo. Já a Nigerian Exchange (NGX) destacou-se como uma das performances mais robustas globalmente em 2024-25, com valorizações superiores a 35% no ano, sinalizando a confiança dos investidores no crescimento econômico real do continente.
10. Empresas brasileiras marcam presença na África
Empresas brasileiras impulsionam o crescimento econômico na África, aproveitando sinergias e reforçando o continente como um dos destinos prioritários para investimentos brasileiros, impulsionando inovação e desenvolvimento mútuo.
Entre os exemplos, podemos destacar:
- Petrobras, líder global em exploração em águas profundas, expande operações em Angola, Nigéria, Namíbia e Costa do Marfim, aplicando expertise do pré-sal para tornar a África sua principal região exploratória fora do Brasil.
- Vale, gigante da mineração, opera em Moçambique (carvão) e Guiné (minério de ferro), sendo um dos maiores investidores do continente.
- Embraer fornece aeronaves e suporte técnico em Angola (jatos Super Tucano), Gana (negociações para Super Tucano) e África do Sul (jatos E195-E2 para Airlink e negociações para C-390). Um possível centro de montagem na Tunísia está em discussão.
- WEG opera uma fábrica na África do Sul e escritórios na Nigéria e Marrocos, atendendo setores de energia e mineração.
- Stefanini lidera em TI, com escritórios em África do Sul, Angola, Nigéria, Marrocos e Egito.
Atualização
Em 25 de agosto de 2025, Brasil e Nigéria assinaram diversos acordos e memorandos de entendimento para fortalecer os laços diplomáticos e comerciais bilaterais em várias áreas durante a visita de Estado do presidente nigeriano, Bola Tinubu. O presidente Lula celebrou o encontro como a “volta do Brasil à África”. A Nigéria é o país africano mais populoso e uma das maiores economias do continente. Saiba mais aqui.
Conclusão: A África é gigante
Como ficou claro, a narrativa de que a África é um continente estagnado é uma mentira conveniente que deve ser combatida por todos nós. Na verdade, o continente africano emerge repleto de dinamismo, inovação, juventude, oportunidades e estrategicamente posicionado para o futuro.
Diversos movimentos simbolizam este renascimento, provando que o continente não aceita mais ser subestimado:
- Correct the Map (Corrija o mapa), movimento que denuncia a distorção criada há séculos pelo mapa de Gerardus Mercator (ainda hoje usado em livros e escolas) que reduz a verdadeira dimensão africana. Para baixar o mapa mundi abaixo, acesse o site Equal Earth e escolha o idioma desejado.
- Pan-africanismo, movimento que une os povos africanos e descendentes pelo mundo, promovendo a integração política, econômica e cultural, como previsto na Agenda 2063 (“Uma só África”) da União Africana.
- Africans Rising, coalizão pan-africana que fortalece a unidade e a ação coletiva em prol de justiça, paz e dignidade.
Enfim, a África se posiciona como continente gigante, criativo e estratégico, que assume com coragem, poder e confiança seu protagonismo global no século 21 – um futuro impossível de ignorar!





