
Real Digital: tudo o que você precisa saber sobre o DREX
2 de julho de 2025
Evento histórico: Fórum Empresarial do BRICS acontece neste sábado
4 de julho de 2025Tudo o que você precisa saber sobre o BRICS, superbloco de países que já responde por 40% do PIB global.
O século 21 testemunha o surgimento de uma nova superpotência econômica: o BRICS+. Com iniciativas estratégicas e influência crescente, o bloco vem redefinindo os rumos dos negócios e da cooperação internacional.
Originalmente formado em 2009 como BRIC — Brasil, Rússia, Índia e China — e ampliado em 2010 com a entrada da África do Sul, o grupo deu um salto estratégico em 2024 ao incorporar novos membros, consolidando-se no atual BRICS+.
Hoje, o BRICS+ representa cerca de metade da população mundial, um indicador poderoso de seu peso demográfico e econômico. Nesta análise, exploraremos os diferenciais competitivos e as vantagens estratégicas de cada país membro, evidenciando como o bloco está posicionado para transformar o cenário econômico global nos próximos anos.
BRICS+: as cartas mais fortes de cada país
O BRICS+ representa muito mais que uma aliança geopolítica – é uma combinação única de recursos, capacidades e mercados que está redefinindo a economia global. Cada membro contribui com vantagens competitivas distintas, criando sinergias poderosas.
A seguir, vamos conferir as cartas mais fortes e oportunidades de cada país nesta aliança, mostrando como suas especialidades se complementam para criar um superbloco economicamente resiliente e inovador.
1. Brasil (Agroenergia, Bioeconomia & Infraestrutura Digital Sustentável)
Cartas fortes:
- Líder mundial na transição energética, com forte presença de fontes renováveis (hidrelétrica, eólica, solar e biomassa).
- Matriz energética limpa e abundante (mais de 80% da eletricidade gerada por fontes renováveis).
- Fornecedor estratégico de commodities agrícolas e minerais.
- Maior exportador global de soja, carne bovina e café.
- Potência em biocombustíveis (etanol, biodiesel, bioquerosene).
- Responsável por 98% das reservas mundiais de nióbio (mineral crítico para indústrias de tecnologia, defesa, automotiva, infraestrutura, entre outros).
- Protagonismo em segurança alimentar e energética.
- Reconhecida liderança em pautas ambientais e climáticas.
- Com abundância de energia limpa e recursos hídricos, o Brasil tem atraído investimentos globais e deve se tornar hub de data centers e infraestrutura digital verde.
Oportunidade:
- Posicionar-se como pilar verde e digital dos BRICS: fornecedora de alimentos, bioenergia e dados sustentáveis, integrando segurança alimentar, energética e digital.
- Expandir sua influência como ponto de conexão entre bioeconomia e economia digital, apoiando cadeias produtivas verdes e inteligentes.
2. Rússia (Energia, Segurança e Minerais Críticos)
Cartas fortes:
- Maiores reservas de gás natural do mundo.
- Produtor e exportador líder de fertilizantes e trigo.
- Segundo maior produtor de petróleo.
- Referência global em tecnologias de defesa, segurança, nuclear e espacial, com sistema de dissuasão avançado.
- Domínio da tecnologia nuclear civil e militar, aliado a avanços em defesa e espaço.
- Expressivas reservas e produção de minerais críticos (como níquel, paládio, platina e lítio, incluindo elementos de terras raras).
- Potência em cibersegurança.
- Capacidade diplomática e militar.
Oportunidade:
- Fortalecer a segurança energética, alimentar e tecnológica do BRICS+, contribuindo com recursos estratégicos que ampliam a autonomia e a resiliência do bloco em áreas sensíveis como energia, defesa e inovação.
3. Índia (Tecnologia & Demografia)
Cartas fortes:
- Maior exportador mundial de serviços de TI.
- Maior população do mundo com 1,4 bilhão de pessoas.
- Mercado consumidor em rápida expansão, impulsionado por urbanização, digitalização e crescimento da classe média.
- Forte base científica e educacional, responsável por formar milhões de profissionais qualificados em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, que impulsionam ecossistemas de inovação e startups.
- Líder global na produção de medicamentos genéricos e vacinas acessíveis, com ampla capacidade de exportação para países em desenvolvimento.
Oportunidade:
- Ser hub de inovação digital do BRICS+, oferecendo soluções escaláveis, acessíveis e socialmente inclusivas para mercados emergentes.
4. China (Manufatura & Infraestrutura)
Cartas fortes:
-
- Maior potência industrial do mundo, com cadeias produtivas altamente integradas
- Responsável por cerca de 28% da produção industrial global (segundo dados do Banco Mundial)
- Liderança em manufatura de alta e média tecnologia
- Líder global em tecnologias de energia renovável, sendo responsável por: mais de 80% da produção mundial de painéis solares; 50% da fabricação global de turbinas eólicas; e mais de 70% da capacidade de produção de baterias de íon-lítio e veículos elétricos
- Protagonista em infraestrutura global por meio da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), com investimentos em mais de 150 países, focando em ferrovias, portos, energia e telecomunicações, além de acesso a instituições financeiras como o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB).
- Forte capacidade de mobilizar recursos financeiros e tecnológicos para acelerar o desenvolvimento dos demais membros.
Oportunidade:
- Ser o motor produtivo e logístico do BRICS+.
- Impulsionar o desenvolvimento industrial e de infraestrutura dos demais membros do BRICS+ com escala produtiva, tecnologia verde e capacidade de financiamento.
5. África do Sul (Minérios & Acesso Continental)
Cartas fortes:
- Economia mais industrializada da África: Líder em mineração, metalurgia, agroprocessamento e produtos químicos, com cadeias produtivas avançadas.
- Gigante em minerais críticos: Maior produtor mundial de platina, cromo e manganês, essenciais para tecnologias limpas (ex.: baterias, conversores catalíticos, produção de hidrogênio).
- Hub financeiro africano: Sede da Bolsa de Valores de Joanesburgo (JSE), a maior da África, atraindo investimentos regionais.
- Liderança diplomática: Protagonista na União Africana (UA) e na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), promovendo estabilidade e integração regional.
- Porta de entrada para a África: Acesso a mais de 50 países via Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA), mercado de 1,4 bilhão de pessoas.
Oportunidade:
- Pode consolidar o BRICS+ como superbloco econômico global, servindo como hub de processamento de minerais e logística na África, conectando recursos estratégicos à AfCFTA.
- Com sua indústria robusta, influência diplomática e acesso a mercados emergentes, amplia a integração econômica e a cooperação Sul-Sul do bloco.
6. Arábia Saudita (Petróleo & Transição Energética)
Cartas fortes:
- Maior exportador de petróleo do mundo, com 17% das reservas globais comprovadas.
- Principal participante da OPEP+, influenciando o fornecimento global de petróleo e os preços.
- Fundo soberano de US$ 900 bilhões (PIF), investindo em infraestrutura, tecnologia e energia renovável.
- Investimentos massivos em hidrogênio verde e megaprojetos de transição energética, como o NEOM, para uma economia de baixo carbono.
- Liderança regional: é mediador no Oriente Médio, com influência no Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e na Liga Árabe, promovendo a estabilidade.Maior exportador de petróleo do mundo, com cerca de 17% das reservas globais comprovadas.
- Líder estratégica da OPEP+, influenciando o equilíbrio energético global e os preços do barril de petróleo.
- Fundo soberano de US$ 900 bilhões (Public Investment Fund – PIF), focado em infraestrutura, tecnologia, energia renovável e inovação industrial.
Status no BRICS+:
A Arábia Saudita adota uma postura de aproximação gradual, conciliando sua entrada no BRICS+ com alianças estratégicas com os Estados Unidos e o Ocidente.
Oportunidade:
- Tornar-se o principal financiador e articulador da transição energética e da infraestrutura sustentável do BRICS+, unindo capital, energia e inovação para posicionar o bloco como protagonista da nova economia verde global.
7. Emirados Árabes Unidos (Finanças & Conectividade)
Cartas fortes:
- Hub financeiro global: o DIFC (Dubai International Financial Centre) é um dos principais centros financeiros do Oriente Médio, com mais de 4.300 empresas registradas, incluindo bancos multinacionais, fintechs e fundos de investimento, oferecendo ambiente jurídico independente e infraestrutura regulatória internacionalmente reconhecida.
- Infraestrutura logística: os EAU operam alguns dos portos e aeroportos mais movimentados e eficientes do mundo, como Jebel Ali (maior porto do Oriente Médio) e o aeroporto de Dubai, um dos principais hubs globais de cargas e passageiros.
- Pioneirismo em energia nuclear pacífica: com a Usina de Barakah, os EAU são o primeiro país árabe a operar uma usina nuclear comercial, sinalizando diversificação energética e avanço tecnológico.
- Diplomacia econômica e neutralidade estratégica: mantêm boas relações tanto com o Ocidente quanto com China, Rússia e países africanos, atuando como ponte geopolítica e financeira entre blocos econômicos diversos.
Oportunidade:
- Ser ponte entre Oriente e Ocidente, atuando como centro financeiro e logístico do BRICS+, conectando capitais, mercados e cadeias de suprimento, viabilizando projetos estratégicos do bloco com agilidade e neutralidade diplomática.
8. Egito (Logística & Demografia)
Cartas fortes:
- Controle do Canal de Suez, por onde passa cerca de 12% do comércio marítimo global. Trata-se de um dos corredores logísticos mais estratégicos do mundo, conectando o Mediterrâneo ao Mar Vermelho e encurtando o tráfego entre Europa e Ásia.
- Posição geográfica única entre África, Ásia e Europa, o Egito tem potencial para ser um elo logístico natural entre os continentes, integrando rotas comerciais e cadeias de suprimento globais.
- Maior mercado árabe, com 110 milhões de habitantes, população jovem e em crescimento, com alto potencial de consumo e força de trabalho acessível.
- O Egito é um hub de produção e exportação de gás natural no Mediterrâneo, com capacidade instalada crescente e alianças regionais com Israel, Grécia e União Europeia.
Oportunidade:
- Tornar-se o principal hub logístico e energético do BRICS+, conectando continentes, mercados e o comércio por meio de infraestrutura e localização estratégica.
9. Irã (Geopolítica & Recursos)
Cartas fortes:
- 4ª maior reserva de petróleo e 2ª de gás natural do mundo: o Irã é uma potência energética com recursos ainda pouco explorados devido a sanções impostas pelo Ocidente. Possui capacidade de exportação via oleodutos e portos estratégicos no Golfo Pérsico e Mar Cáspio.
- Posição geoestratégica vital no Oriente Médio: localizado entre Ásia Central, Oriente Médio e subcontinente indiano, o Irã conecta corredores energéticos e comerciais entre China, Rússia, Índia e Europa. Participa da Rota Internacional de Transporte Norte-Sul (INSTC), alternativa complementar ao Canal de Suez.
- Indústria de defesa e drones autônomos: desenvolveu uma base tecnológica e industrial militar própria, com destaque para sistemas de drones de longo alcance e produção de armamentos.
- Experiência em operar sob sanções: Irã conta com sistemas financeiros e logísticos alternativos ao dólar e à infraestrutura ocidental, know-how que pode agregar valor à ambição do BRICS+ de reduzir dependência de instituições financeiras dominadas pelo Ocidente.
Oportunidade:
- Ser pilar energético e geoestratégico do BRICS+, oferecendo rotas alternativas, segurança de abastecimento e experiência na construção de sistemas econômicos resilientes e independentes do Ocidente.
10. Etiópia (Demografia & Crescimento)
Cartas fortes:
- Uma das economias que mais crescem na África: apesar de desafios, a Etiópia vem mantendo, na última década, taxas de crescimento econômico acima da média continental, impulsionadas por investimentos em infraestrutura, energia e transporte.
- População jovem e em expansão: com mais de 120 milhões de habitantes, a Etiópia é o segundo país mais populoso da África, com uma demografia majoritariamente jovem, fator-chave para força de trabalho futura e dinamismo de mercado.
- Hub aéreo continental: a Ethiopian Airlines é a maior e mais conectada companhia aérea da África, com rotas em mais de 60 países, consolidando Addis Abeba como centro logístico e diplomático regional, inclusive sede da União Africana.
- Investimentos em infraestrutura energética: país lidera projetos como a Grande Barragem do Renascimento Etíope (GERD), que pode transformar a matriz energética regional, tornando a Etiópia exportadora de energia hidroelétrica para países vizinhos.
- Peso político crescente no continente: sede da União Africana e com tradição diplomática, a Etiópia pode representar interesses continentais em fóruns multilaterais.
Oportunidade:
- Atuar como ponte estratégica entre o BRICS+ e o continente africano, representando seu potencial demográfico, energético e produtivo com legitimidade e conectividade regional.
11. Indonésia (Indústria halal, biodiversidade & integração asiática)
Cartas fortes:
- Maior economia do Sudeste Asiático: PIB de cerca de US$ 1,5 trilhão (2024), com crescimento de 5–6% ao ano, impulsionado por consumo interno, industrialização e digitalização (a exemplo de startups como Gojek).
- Gigante demográfico: 4ª nação mais populosa (cerca de 280 milhões), com população jovem (média de 30 anos), urbana e 70% conectada digitalmente.
- Líder da economia halal: possui o maior mercado consumidor muçulmano do mundo, com destaque em produtos e serviços halal, destacando-se em produtos e serviços halal (isto é, que seguem as leis islâmicas), como alimentos, finanças e turismo — com exportações crescentes em um setor global projetado para US$ 2,8 trilhões até 2025.
- Biodiversidade estratégica: segunda maior floresta tropical do mundo e referência em bioeconomia, a Indonésia tem papel ativo em agendas climáticas globais, com metas como neutralidade de carbono até 2060 e atuação destacada nas negociações ambientais internacionais.
- Relevância geoestratégica: com o controle do Estreito de Malaca — rota por onde transita cerca de 40% do comércio marítimo global —, a Indonésia ocupa posição logística vital na Ásia.
- Infraestrutura logística: país vem expandindo sua infraestrutura de transporte, como o porto de Tanjung Priok, fortalecendo seu papel como hub regional e conector estratégico entre oceanos e mercados.
- Diplomacia influente: protagonista na ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), que integra 10 países, e no G20, com tradição de não alinhamento, mediando estabilidade regional e cooperação Sul-Sul.
Oportunidade:
- Pode atuar como ponte do BRICS+ com a ASEAN (mercado de 650 milhões de pessoas), conectando cadeias produtivas, rotas marítimas estratégicas e o crescente mercado halal — projetado para atingir US$ 2,8 trilhões até 2025.
- Com sua população jovem, vasta biodiversidade e diplomacia influente, o país amplia o alcance do BRICS+ na Ásia, impulsionando a segurança alimentar, a transição ecológica e a cooperação Sul-Sul.
BRICS+ e o poder da cooperação global
Em um cenário global em constante transformação, o BRICS+ ganha cada vez mais representatividade, reflexo do mundo multipolar que valoriza a rica diversidade, a inclusão, a interação entre os países e a potência que surge da união de forças.
Paralelamente, nota-se que hegemonia e colonialismo se tornam conceitos ultrapassados, que não encontram mais espaço em um contexto que exige diálogo, respeito mútuo, responsabilidade e governança.
Diante de desafios e oportunidades, o BRICS+ simboliza uma nova era das relações internacionais, moldada por parcerias estratégicas, sinergias globais e o desejo compartilhado de um futuro mais justo, equilibrado e inclusivo.




