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3 de julho de 2025Banco Central do Brasil avança nos testes para lançar CBDC brasileira.
O Real Digital, batizado oficialmente como DREX, representa a maior transformação do sistema monetário brasileiro desde o Plano Real. Trata-se da CBDC (Central Bank Digital Currency – Moeda Digital de Banco Central), atualmente em fase de testes sob coordenação do Banco Central do Brasil (BCB).
Com lançamento previsto para 2025, o DREX tem potencial para revolucionar o uso do dinheiro, reduzir custos públicos e colocar o país em posição de liderança entre as economias emergentes no cenário da tecnologia financeira global.
Diferentemente das criptomoedas privadas, como o Bitcoin, o DREX será uma moeda digital oficial, lastreada no real e emitida exclusivamente pelo Banco Central. Sua função principal é servir como infraestrutura para inovação financeira, permitindo contratos inteligentes, novos modelos de crédito, integração internacional de pagamentos e maior inclusão financeira.
Em meio à corrida global das CBDCs, o Brasil emerge como player estratégico no BRICS+. Com o DREX, o país assumirá papel de ponte entre economias emergentes e desenvolvidas, combinando inovação tecnológica com uma das infraestruturas financeiras mais sólidas do Sul Global.
DREX e a evolução da tecnologia financeira no Brasil
O surgimento do DREX não foi um movimento isolado, mas uma evolução natural da transformação digital iniciada com o Pix. O debate sobre uma CBDC brasileira ganhou corpo durante o governo de Jair Bolsonaro, quando o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, iniciou estudos e defendeu publicamente a criação de uma moeda digital soberana como extensão da digitalização do sistema financeiro.
Campos Neto foi um dos primeiros líderes de bancos centrais a propor que uma CBDC não apenas replicasse o dinheiro físico, mas trouxesse funcionalidades inéditas, como automação de pagamentos via contratos inteligentes, uso em plataformas descentralizadas (DeFi) e conexão com outras moedas digitais oficiais — como as do BRICS.
Atualmente, sob o governo Lula, o projeto segue avançando. O atual presidente do Banco Central, o economista Gabriel Galípolo, tem papel fundamental na operacionalização do DREX, liderando os testes e articulando parcerias para sua adoção em escala nacional e internacional.
Vantagens do DREX para o Brasil: inovação, eficiência e soberania financeira
A implementação do DREX oferece benefícios concretos para o país, o sistema bancário e a população:
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Redução de custos com papel moeda: a digitalização do real diminui gastos com impressão, transporte e segurança do dinheiro físico.
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Mais eficiência no sistema financeiro: o DREX permitirá liquidações instantâneas, integradas a contratos inteligentes, reduzindo intermediários e aumentando a transparência.
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Inclusão financeira: pode beneficiar milhões de brasileiros ainda à margem dos serviços bancários tradicionais, por meio de carteiras digitais seguras.
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Fomento à inovação: será base para fintechs desenvolverem produtos financeiros mais acessíveis e personalizados.
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Integração internacional: fortalece o Brasil em acordos bilaterais e multilaterais de pagamento digital, reduzindo a dependência do dólar.
DREX e BRICS: conectando o Brasil à nova arquitetura financeira global
O DREX também tem papel geopolítico. O Brasil posiciona sua CBDC como ponte entre as economias do Sul Global, especialmente no contexto dos BRICS. O Banco Central já conduz testes de interoperabilidade com o e-CNY (China) e o e-Rupee (Índia), com o objetivo de facilitar transações internacionais em comércio de commodities, como minério de ferro e soja.
Essa iniciativa visa:
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Reduzir custos cambiais;
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Evitar a dolarização de contratos internacionais;
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Fortalecer moedas locais dentro do bloco BRICS;
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Conectar o DREX à futura plataforma BRICS Pay, um sistema de pagamentos multilaterais.
Cúpula do BRICS debaterá CBDCs
A 17ª Cúpula do BRICS será realizada nos dias 6 e 7 de julho de 2025, no Rio de Janeiro, com o Brasil como país anfitrião e na presidência rotativa do grupo. O evento reunirá chefes de Estado dos 11 países-membros, além de nações parceiras convidadas.
Sob o lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, a cúpula debaterá sobre a reforma da governança global, a integração econômica entre países em desenvolvimento e o avanço de sistemas financeiros mais eficientes.
Entre os temas centrais está a modernização dos sistemas de pagamento internacionais, com destaque para o uso de tecnologias como blockchain e moedas locais (mas sem previsão de criação de uma moeda única do BRICS).
O Brasil pretende apresentar iniciativas como o PIX e o projeto do DREX (Real Digital) como exemplos de inovação financeira para o comércio multilateral. A expectativa é que a cúpula promova soluções para reduzir custos de transações e fortalecer a autonomia financeira dos países membros, com o DREX podendo ter papel estratégico nesse processo.
DREX como símbolo da nova soberania monetária digital
A criação do DREX marca o início de um novo capítulo na política monetária brasileira. Trata-se não apenas de uma evolução técnica, mas de um instrumento estratégico que pode reposicionar o Brasil como líder em inovação financeira no hemisfério sul.
Iniciado sob a liderança visionária de Roberto Campos Neto e atualmente conduzido por Gabriel Galípolo, o projeto do DREX demonstra continuidade institucional e alinhamento com os desafios globais, como a digitalização da economia e a disputa por soberania monetária.
Se bem-sucedido, o Real Digital será, além de moeda digital, um passaporte do Brasil para a economia do futuro.




