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14 de maio de 2026Grupo de trabalho tem 90 dias para propor programa para transformar riqueza mineral em tecnologia, indústria e desenvolvimento sustentável.
Neste mês, o governo brasileiro criou um grupo de trabalho chamado GT Soberania Tecnológica Nacional – Inovação para o Setor Mineral. Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o GT tem a missão de elaborar a proposta do Programa Inova+Mineral.
O grupo reúne cinco instituições:
- Finep (Financiadora de Estudos e Projetos)
- CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)
- Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial)
- Cetem (Centro de Tecnologia Mineral)
- CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos)
ABC dos minerais
Antes de prosseguirmos no artigo, vale esclarecer termos que costumam gerar dúvida. A expressão “minerais críticos e estratégicos” representa um “guarda-chuva” que reúne vários materiais essenciais para a economia:
- Minerais críticos = alto risco de desabastecimento (poucos países controlam a produção).
- Minerais estratégicos = fundamentais para soberania, carros elétricos, eletrônicos, defesa e indústrias de alta tecnologia.
Dentro dessa categoria macro, temos sub-categorias:
-
- Terras-raras: 17 elementos químicos, usados principalmente nos setores de energia renovável (turbinas eólicas), mobilidade elétrica (carros elétricos), eletrônica (celulares, telas, chips), defesa (equipamentos militares) e indústria.
- Lítio: ingrediente principal das baterias recarregáveis (celulares, notebooks e carros elétricos).
- Nióbio: o Brasil é líder mundial; fortalece ligas metálicas para os setores aeroespacial, de óleo e gás (dutos) e construção de alta resistência.
- Demais (como grafite, cobalto, níquel, cobre, titânio e silício): cada um tem funções específicas em baterias, eletrônicos, fiação, painéis solares, equipamentos médicos, entre muitas aplicações.
Juntos, eles representam as matérias-primas do século 21. Dominar sua produção é uma das grandes estratégias do Brasil.
Estágio atual do Brasil
O país ocupa hoje a etapa inicial da cadeia mineral: exporta minério bruto e importa produtos de alta tecnologia – como ímãs, baterias, semicondutores e componentes para a indústria de defesa.
“O Brasil não pode aceitar o papel de exportar minério bruto e importar tecnologia cara. Temos inteligência, instituições e capacidade produtiva para avançar.”
Luciana Santos – Ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação
A criação do GT representa, portanto, a decisão de migrar para a fase seguinte: domínio tecnológico, refino local e fabricação nacional de insumos críticos e estratégicos.
Dados, números e investimentos
Os investimentos já estão em curso. Entre 2023 e 2025, a Finep contratou mais de 5,3 mil projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). O volume total chega a R$ 45 bilhões – salto de 235% em relação ao período anterior.
Para o setor mineral, há uma linha específica. A chamada Finep Mais Inovação Brasil – Transformação Mineral oferece R$ 200 milhões em recursos não reembolsáveis para empresas. As prioridades do edital se dividem em duas frentes:
- Minerais prioritários: Lítio, cobre, níquel, grafite, terras-raras, nióbio, silício, cobalto e titânio.
- Tecnologias sustentáveis:
- Mineração urbana (reciclagem de lixo eletrônico)
- Descarbonização
- Hidrogênio de baixa emissão
- Captura de CO₂
Além disso, o Brasil já conta com 22 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) ligados à mineração, 58 unidades da Embrapii atuando em transformação mineral e 96 Arranjos Produtivos Locais (APLs) de base mineral espalhados pelo país.
Próximos passos
Nos próximos 90 dias (prorrogáveis por período similar), o GT entregará programa concreto:
- Mapear quais minerais críticos e estratégicos são prioritários para o Brasil.
- Identificar gargalos tecnológicos (por exemplo, quais etapas de refino de terras raras ainda não dominamos e como superá-las).
- Propor metas de escalonamento industrial (ou seja, levar tecnologias que hoje existem apenas em laboratório para produção em escala comercial).
- Definir programas de formação de engenheiros, químicos e técnicos especializados em processamento mineral.
- Criar mecanismos de financiamento contínuo para que empresas brasileiras desenvolvam soluções próprias, reduzindo a dependência de importações.
Conclusão: potencial do Brasil é imenso
O Brasil reúne condições extraordinárias no cenário global: é o segundo maior detentor de reservas de terras raras do mundo, líder em nióbio e tem posição de destaque em grafite e lítio. Agora, o país começa a construir a ponte entre a riqueza no subsolo e a tecnologia.
Com investimentos recordes, base científica consolidada e um grupo de trabalho dedicado exclusivamente a esse salto, o cenário é promissor. O Inova+Mineral busca posicionar o Brasil como fornecedor também de soluções tecnológicas e industriais para o mundo – gerando empregos qualificados, divisas e soberania.
O primeiro passo foi dado. A direção é clara e o país tem tudo para protagonizar a próxima fronteira dos minerais críticos e estratégicos, transformando o rumo da história brasileira.
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