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14 de maio de 2026Da chegada discreta com ônibus elétricos em 2015 ao recorde de vendas no varejo em 2026: como a BYD se tornou a marca automotiva mais desejada pelos brasileiros.
Em menos de uma década, a BYD deixou de ser uma desconhecida para se tornar a marca mais vendida no varejo brasileiro. A fabricante chinesa transformou o país em seu maior mercado fora da China.
2026 tem sido o ano da consolidação: o Dolphin Mini já é um fenômeno de vendas. Só no primeiro trimestre, foram 37.637 emplacamentos — crescimento de quase 74% sobre 2025. Em abril, a BYD foi além e assumiu a liderança do varejo, com 14,911 unidades, superando a Volkswagen.
Com a maior fábrica de veículos elétricos e híbridos da América Latina em operação em Camaçari (BA) e uma rede de 125 carregadores rápidos espalhados pelo território nacional, a BYD é um caso de sucesso entre dois países do BRICS.
Primeiros passos: quando a BYD desembarcou no Brasil
A história da BYD no Brasil começou em 2015, muito antes dos carros de passeio. A empresa instalou sua primeira fábrica em Campinas (SP), dedicada a ônibus elétricos, painéis solares e sistemas de armazenamento de energia.
Na época, o objetivo era transformar o Brasil em base logística e de produção na América Latina, aproveitando a experiência global da BYD em quatro grandes setores: automotivo, transporte ferroviário, eletrônicos e energia renovável. A operação começou de forma modesta, mas plantou a semente de tudo o que viria depois.
Virada de jogo: dos ônibus aos carros de passeio
Em 2022, a BYD vendeu apenas 260 carros, mas o salto foi exponencial: 17,9 mil em 2023, 76,7 mil em 2024 e 112,9 mil em 2025 – o suficiente para a marca estrear no Top 10 da indústria nacional.
Já em 2026, a BYD consolidou sua força no varejo, segmento que evidencia o interesse do consumidor final. No primeiro trimestre, havia ultrapassado Fiat, Chevrolet, Hyundai e Toyota. Em abril, chegou ao topo: liderou as vendas no varejo (14.911 mil unidades), superando a Volkswagen. O desempenho foi puxado pelo Dolphin Mini (5,9 mil unidades) e pelos híbridos da linha Song (4,1 mil).
No acumulado do ano, a BYD agora ocupa a liderança do varejo e a quinta posição no ranking geral (quando se incluem vendas diretas para frotistas).
Megafábrica de Camaçari: hub da estratégia brasileira
O grande marco industrial aconteceu em outubro de 2025, com a inauguração da fábrica da BYD em Camaçari (BA), erguida no terreno onde antes funcionava o antigo complexo da Ford. Foram R$ 5,5 bilhões de investimento.
O polo industrial tem uma área total de aproximadamente 4,6 milhões de m² (equivalente a centenas de campos de futebol). A capacidade inicial é de 150 mil carros por ano, com planos de chegar a 300 mil na segunda fase e até 600 mil veículos por ano quando estiver em plena operação.
Quanto à criação de empregos e renda, a fábrica conta com cerca de 4 mil trabalhadores diretos (grande maioria brasileiros) e aproximadamente 3.700 terceirizados nas obras de expansão. Em abril de 2026, a BYD anunciou 1.654 novas vagas para o terceiro turno, com o objetivo de ultrapassar 6 mil funcionários diretos em breve.

Wang Chuanfu, fundador e CEO global da BYD, com Presidente Lula na fábrica de Camaçari na Bahia (Foto: Ricardo Stuckert/PR – Agência Brasil)
Lançamentos e expansão da infraestrutura de recarga
A BYD segue inovando. Em abril de 2026, lançou o Dolphin Special Edition e o Yuan Plus 2027 com tração integral, ampliando seu portfólio para diferentes perfis de consumidores.
Paralelamente, a empresa investe forte em infraestrutura. Hoje, já opera a maior rede pública de carregadores rápidos do Brasil, com 125 pontos instalados, e pretende chegar a 225 até o fim de 2026.
O aplicativo BYD Recharge tem 166 mil usuários cadastrados, salto de 177% em relação a junho de 2025. A meta é instalar 1.000 carregadores ultrarrápidos até o fim de 2027.
Por que o Brasil é estratégico para a BYD
O país tornou-se o maior mercado da BYD fora da China e abriga sua maior fábrica de veículos eletrificados da América Latina – um duplo recorde que nenhuma outra operação global da empresa alcança. A meta de nacionalização é ambiciosa: 50% das peças dos carros fabricados localmente até 2027.
Em maio de 2026, a BYD anunciou a construção de um Centro de Avaliação e Testes Automotivos no Rio de Janeiro, com investimento de R$ 300 milhões, reforçando sua aposta em pesquisa e desenvolvimento no Brasil.
Com tudo isso, a empresa elevou sua meta de vendas para 250 mil veículos em 2026, o que representaria 10% do mercado nacional.
Conclusão
A história da BYD no Brasil comprova que planejamento de longo prazo, investimento industrial robusto e adaptação ao consumidor local podem transformar uma desconhecida em protagonista em menos de 10 anos.
Exemplo disso é o primeiro super-híbrido plug-in flex do mundo, desenvolvido sob medida para o país. Seu motor aceita etanol, gasolina e eletricidade – e isso transforma a experiência do motorista. O brasileiro ganha poder para escolher o combustível conforme sua conveniência, seu bolso ou sua rota.
A prova mais recente veio em abril de 2026, quando a BYD ultrapassou a Volkswagen e assumiu a liderança do varejo brasileiro – um feito que poucos imaginavam há apenas três anos.
A corrida da eletromobilidade está só começando – e a BYD já está à frente, unindo tecnologia de ponta à pluralidade energética que sempre foi a força do Brasil.
Crédito da foto da capa: Ricardo Stuckert / PR – Agência Brasil





